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Critérios de correção para fazer um bom texto no concurso

Quando se fala sobre a escrita da redação nos concursos públicos, sempre nos atemos a uma modalidade específica que é a dissertação. Fazer um bom texto, no entanto, não é uma tarefa muito simples para a maioria das pessoas porque estamos acostumados à modalidade narrativa e, não sabemos como avaliar de forma imparcial nossas próprias produções. Este artigo traz luz sobre esta questão. Vamos passar aqui pelos processos de correção elencando alguns critérios importantes e depois falaremos mais especificamente sobre a estrutura do texto

Como avaliar produções escritas de modo objetivo

O trabalho com a produção de textos escritos traz consigo um problema: como avaliar seu resultado de modo objetivo? O propósito da correção de redações deve ser, sempre, no caso do professor, orientar o aluno sobre o que fazer para melhorar sua produção escrita, em função do(s) leitor(es) dos seus textos.

Neste artigo eu quero sugerir alguns procedimentos de avaliação de redações que, se adotados sistematicamente, podem tornar mais tranquilo o momento da correção e, a partir daí, podemos corrigir nossos próprios erros. Trata-se, na verdade, do estabelecimento de alguns critérios a serem utilizados durante o processo de avaliação dos textos e, muito importante, no momento de atribuição de notas às redações.

imagem como corrigir os próprios textos

O que é um critério de correção?

Critérios de correção são, no contexto específico da avaliação de textos, os parâmetros que o corretor estabelece para “corrigir” as redações escritas pelos candidatos.

Sem parâmetros, ou critérios, estaremos fazendo uma correção holística; em outras palavras, estaremos realizando uma avaliação que terá por base a impressão geral causada pelo texto no corretor.

Por que utilizar critérios de correção?

A utilização de critérios predefinidos, ao avaliar um texto, contribui para garantir que, no momento da leitura, observemos diferentes aspectos da sua estrutura. No caso da pessoa que fará um vestibular ou concurso, conhecer os critérios ajudará a produzir um texto com limites muito bem definidos que, dessa forma, evitarão inadequações.

A adoção de uma analogia bastante simples entre a construção de um texto e a construção de uma casa talvez esclareça melhor nosso ponto de vista. Para se construir uma casa é preciso, em primeiro lugar, dispor de um projeto arquitetônico, que permitirá a visualização do resultado final, antes de construída a casa; aprovado o projeto, passa-se às fundações (aquilo que dará sustentação à edificação); em seguida, serão levantadas as paredes, que dividirão os vários ambientes da casa e sustentarão o telhado, a última coisa a ser feita antes do acabamento.

De certa forma, a elaboração do texto escrito deve seguir uma sequência semelhante: parte-se de um projeto de texto, no qual são definidos os elementos básicos a serem trabalhados futuramente, para que o autor possa ter uma ideia de qual será o resultado final do texto; em seguida, tem início a construção do texto propriamente dito, de acordo com o que foi estabelecido no projeto, de tal forma que o autor não se esqueça de levantar nenhuma das “paredes” necessárias para a sustentação do telhado, a sua conclusão. Pronto o texto, seu autor poderá, no momento de releitura, dedicar-se aos “acabamentos”, pequenas alterações feitas visando muito mais à forma do que ao conteúdo.

Uma consequência necessária – e muito desejável! – da utilização de critérios para a avaliação de redações é a maior objetividade garantida ao processo de leitura e correção. Resta pouco espaço para a impressão e, portanto, para a correção subjetiva…

Primeiro passo: determinar/conhecer os critérios

A partir desse ponto, quero pensar e escrever como um professor que está, indiretamente ajudando outros professores que têm entre seus alunos pessoas que aspiram a uma vaga numa universidade ou mesmo num concurso público. Chamarei-os todos de alunos então.

Podemos iniciar nossos trabalhos estabelecendo os critérios que serão utilizados na correção dos textos que eles, os alunos,  produzirão durante as aulas. Essa é outra característica muito importante, e benéfica, da adoção de critérios de correção: os alunos sabem como seus textos serão corrigidos. Assim, professores e alunos dispõem de um conjunto de parâmetros comuns, referentes à estrutura do texto, com o qual trabalharão durante as aulas.

Muitas vezes experimentamos, em nossa vida escolar, a frustração de receber, como observação do professor em uma redação, algo como “desenvolva mais o conteúdo”, “melhore seu texto”, “pouco claro” ou “seu texto está truncado”… Mas, desenvolver o quê? Não parece óbvio que, se soubéssemos como fazê-lo, o teríamos feito no momento de escrever a redação? Ninguém erra voluntariamente, ainda mais quando o resultado do “erro” é traduzido em uma nota baixa. O segundo tipo de observação é extraordinariamente vago. Devemos ser capazes de dizer algo mais específico do que “desenvolva mais o conteúdo”, ao comentar um texto. Como podemos esperar que os alunos escrevam com clareza se nós, seus mestres, não conseguimos fazê-lo nas poucas linhas que dirigimos a eles?

É evidente que existem textos cujo conteúdo precisa mesmo ser mais bem desenvolvido, e o objetivo do professor é conseguir que seu aluno, em uma próxima oportunidade, resolva o problema. A inadequação está, porém, na maneira como a observação é feita, porque não oferece nenhuma referência mais concreta dos aspectos de forma e / ou conteúdo que precisam ser modificados para que o texto melhore, ou de como o aluno poderia desenvolver “mais” o conteúdo.

Caso dispuséssemos de critérios de correção, no entanto, teríamos como fazer referência direta aos problemas identificados no texto, porque nossos alunos conheceriam previamente os parâmetros a serem utilizados durante a avaliação. Em lugar de dizer “melhore sua redação”, o professor dirá algo a respeito da organização de argumentos ou indicará problemas nas estruturas sintáticas ou coesivas que possam estar perturbando a compreensão do texto. O aluno lerá o comentário e saberá, por exemplo, que os problemas de coesão comprometem as estruturas de referência e as unidades de ligação do texto – e saberá porque aprendeu em aula! -, podendo identificar com maior exatidão o que precisa ser modificado em seu texto.

O resultado da adoção de critérios será não só uma avaliação mais objetiva por parte do professor; será, principalmente, uma possibilidade de trabalhar melhor os problemas identificados com os aluno durante as aulas de produção de texto preparatórias para concursos.

Os critérios de correção: uma proposta específica

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Faremos, agora, a apresentação de uma proposta concreta de critérios a serem adotados no momento de corrigir e avaliar os textos dos alunos. Eles não são os únicos possíveis, é claro! Gostaríamos, porém, que fossem considerados como uma sugestão, porque são o resultado de um longo trabalho de pesquisa bibliográfica e também da experiência acumulada ao longo de anos convivendo com os melhores cursinhos.

Esses critérios resumem as indagações que se devem fazer a um texto com relação aos modos de estruturação e articulação dos elementos formais e de conteúdo. Para que você compreenda bem o que cada um deles significa, faremos, após sua apresentação, um exercício de “correção” de algumas redações.

Destacamos, com sublinhado, os critérios sugeridos.

A avaliação do desenvolvimento do tema proposto

Uma redação escrita em resposta a um tema proposto pelo professor/concurso deve necessariamente considerar alguns elementos básicos que definem tal tema: orientação geral apresentada, delimitação da questão a ser analisada, presença de informações que motivem a reflexão solicitada, etc.

O professor, ao preparar um tema, deve fazê-lo considerando qual(is) elemento(s) de um gênero específico (de natureza expositiva, argumentativa, narrativa ou injuntiva) deseja enfatizar através de sua proposta.

Frequentemente, ao prepararmos uma proposta de produção de texto, temos uma certa expectativa e somos surpreendidos por um desenvolvimento diferente do esperado, por parte dos alunos. Quando tal fato ocorre, suas consequências podem ser muito produtivas para uma aula de produção de texto. Se a inadequação ao tema for geral, devemos nos perguntar, por exemplo, se aquilo que esperávamos estava claro na proposta feita. Caso o problema não esteja na definição do tema, podemos detectar uma dificuldade na compreensão de algum aspecto trabalhado erri sala e estaremos diante de uma boa oportunidade de retomá-lo a partir dos exemplos de inadequação identificados nas redações.

O uso dos elementos da coletânea

É muito difícil escrever um texto a partir do nada. Se somos solicitados a produzir um trabalho sobre um determinado tema, o procedimento natural a ser adotado é o de primeiro realizar uma pesquisa para, de posse das informações e dados selecionados através da pesquisa, escrevermos um texto sobre a questão proposta. Por que não adotarmos o mesmo procedimento com nossos alunos?

Gostaríamos, nesse momento, de recuperar o conceito de coletânea de textos, utilizado nas propostas de redação do vestibular da Unicamp. Uma coletânea é, basicamente, um conjunto de textos (verbais e não-verbais) de natureza diferente (extraídos de jornais, revistas, livros, etc.) que acompanham um tema, cujo objetivo é colocar à disposição das pessoas que optem por desenvolvê-lo algumas informações que podem ser utilizadas no cumprimento da tarefa proposta.

Ao apresentar uma proposta de produção de texto acompanhada de um conjunto de informações, o professor estará proporcionando melhores condições para que seus alunos escrevam de modo mais consistente (em lugar, por exemplo, de apenas dizer que eles precisam melhorar o conteúdo…), e terá, no momento da avaliação, a oportunidade de verificar a qualidade de sua leitura. Defendemos enfaticamente o fornecimento de uma coletânea de textos que instrua melhor as propostas de produção de texto a serem trabalhadas em sala de aula porque sabemos ser esse um local privilegiado de avaliação de leitura. Os alunos, por sua vez, “obrigados” a utilizar dados extraídos da coletânea, perceberão que leitura e escrita são duas atividades interdependentes e, portanto, concluirão não ser possível produzir boa escrita sem boa leitura.

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