Você está aqui: Início » Língua Portuguesa » Enem – A crase e seu uso

Enem – A crase e seu uso

Aprenda a fazer redação nota 1000Um dos assuntos que mais aparecem na sala de aula durante as aulas sobre regência e também sobre complementos verbais é a crase. Pedra no sapato para alguns, diferencial na hora da prova para outros, ela não é apenas um sinalzinho que se coloca sobre algumas palavras para indicar a fusão entre dois “as”. Entender a crase ajudará, também, a definir com qual sentido um verbo deve ser tomado e, em frases como as que colocarei abaixo, ajudar na interpretação correta do texto, sobretudo numa prova de Linguagens como a do Enem.  Veja o exemplo abaixo:

À noite, chegou.
A noite chegou.

No primeiro exemplo, temos que o sujeito é oculto e que este chegou no período da noite. No segundo exemplo, a própria noite chegou, isto é, anoiteceu. Este não é um artigo teórico ensinando a usar a crase. O que trago são vários exercícios sobre o uso dela.

A crase e seu uso

1. Observe a frase a seguir.

Lula faz à China a melhor viagem de seu governo, mas a megalomania dos diplomatas quase estraga tudo.

Veja. São Paulo: Abril, edição 1.856, ano 37, n. 22, 2 jun. 2004, p. 40.

►  Qual é o sentido do verbo fazer nesse caso?
►  Justifique o uso da crase nesse subtítulo de reportagem.

2. Os versos a seguir foram retirados de composições de músicos brasileiros. Justifique o uso da crase em cada um dos excertos.

I. Estava à toa na vida / O meu amor me chamou
(A banda, Chico Buarque).

II. À madrugada iremos pra casa cantando
(Cordas de aço, Cartola).

III. Para viver à beira do abismo
(Por que você faz cinema?, Joaquim Pedro de Andrade e Adriana Calcanhoto).

VI. Quem vai pagar as contas deste amor pagão / Te dar a mão, me trazer à tona pra respirar
(Caleidoscópio, Herbert Vianna).

3. Leia o texto a seguir para responder ao que se pede.

Olympus Stylus 300 Digital […]: você fotografa sua história vencedora sem perder nada de ação, com uma câmera cheia de estilo e resistente a poeira e água, tão compacta que vai com você a qualquer lugar. Faça as fotos digitais mais precisas que você pode imaginar, com 3.2 megapixels e lente zoom 3x.

Fotografe Melhor. São Paulo: Europa, n. 87, dez. 2003, p. 43. (Fragmento).

►  Do ponto de vista da norma padrão da língua, há uma incorreção no uso da crase. Identifique a incorreção e justifique sua resposta.
►  No excerto: “tão compacta que vai com você a qualquer lugar”, deveria haver crase no termo destacado? Justifique sua resposta.

>> Leia o excerto a seguir, que foi extraído de uma carta enviada por um representante do conselho Municipal de turismo a uma moradora da cidade de São Paulo, para responder às questões 4 e 5.

Resposta

Em resposta a d. Eliane de A. (Áreas de lazer, de 28/9), gostaria de agradecer o apoio à ação da Prefeitura criando nova áreas de lazer na cidade, como as das Av. Sumaré e Paulista aos domingos.

O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 out. 2004, p. C2. Seção São Paulo reclama.

4. Nesse excerto, há uma única ocorrência do uso de crase. Do ponto de vista da norma padrão da língua, esse uso está correto? Justifique sua resposta.

5. Observe as duas frases.

I. Em resposta a d. Eliane de A.
II. Em resposta à d. Eliane de A.

►  Qual é o efeito de sentido resultante do uso ou não de crase antes desse nome próprio feminino?

6. Na frase “escrevi todo meu trabalho a mão e depois o passei a limpo”, há crase nos termos destacados? Justifique sua resposta.

7. É possível que a crase ocorra para se evitar a ambiguidade de um enunciado. É o que acontece na oração a seguir.

A mãe presenteou a filha.

►  Qual a ambiguidade que está sendo eliminada pela crase?

8. Leia o texto a seguir.

A Dúvida

À ou A realizar-se no dia 8 de dezembro…?
Para que seu convite de casamento não apresente erros gramaticais e possa, por isso, provocar risinhos de algum convidado mais exigente, escreva:
“A realizar-se no dia 8 de dezembro…”

DUARTE, Sérgio Nogueira. Língua viva III: uma análise simples e bem-humorada da linguagem do brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. (Fragmento).

►  Considerando que a crase é definida como a contração da preposição a com o artigo feminino a, qual a explicação gramatical para que não ocorra crase na expressão que suscitou a dúvida?

9. Na frase “Refiro-me a esta moça, e não a que estava aqui antes”, há crase no termo destacado? Justifique sua resposta.

10. Leia o texto a seguir.

Mea culpa

Deu no JB: “Jorge Travassos interpretou como bola atrasada e deu falta dentro da área à favor do Madureira.”
A falta foi a favor do Madureira e o gol contra foi nosso.

DUARTE, Sérgio Nogueira. Língua viva II: uma análise simples e bem-humorada da linguagem do brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. (Fragmento).

► O texto é parte da coluna Língua Viva, publicada no Jornal do Brasil. na seção intitulada “Mea culpa”, Sérgio Nogueira duarte aponta as inadequações gramaticais que “escaparam” na revisão que é feita antes da publicação do jornal. Nesse trecho, o que “escapou” foi o acento grave na expressão “a favor”. Por que foi um “gol contra” colocar crase nesta expressão?

Gabarito dos exercícios do artigo “A crase e seu uso”

1. O sentido de fazer é realizar/efetuar, no caso, a melhor viagem de negócios entre os dois países.
►  O verbo fazer é empregado como transitivo direto e indireto; nesse último caso, exige a preposição a, que sofre contração com o artigo feminino a, que designa a palavra feminina China.

2. I- É locução adverbial formada pela preposição a + artigo feminino a, que designa a palavra feminina toa. como locução significa ao acaso, irrefletidamente.
II- É locução adverbial formada pela preposição a + artigo feminino a, que designa a palavra feminina madrugada.
III- É locução prepositiva formada pela preposição a + artigo feminino a, que designa a palavra feminina beira.
IV- É locução adverbial formada pela preposição a, exigida pelo verbo transitivo indireto trazer a, + artigo feminino a, que designa a palavra feminina tona (superfície).

3. A expressão “resistente à poeira” deveria ter recebido acento grave, pois apresenta a preposição a, exigida pela palavra resistente, e o artigo feminino a, que designa a palavra feminina poeira.
►  Não, o sinal de crase não deve ser utilizado antes de palavras que não vêm precedidas do artigo feminino, caso do substantivo masculino lugar.

4. Sim. O verbo agradecer tem regência múltipla e pode ser empregado como transitivo indireto, agradecer a. Nesse caso, a crase é justificada pela contração da preposição com o artigo feminino a, que designa “(a) ação da prefeitura”.

5. A ausência de crase, como ocorrido na carta endereçada à moradora de São Paulo, indicia um distanciamento, isto é, a pessoa que lhe escreveu não tem familiaridade. no segundo caso, o uso de crase indicia que há grau de familiaridade suficiente para designar o referente como “a d. Eliane”. Nesse caso, há contração entre a preposição a da locução e o artigo feminino.

6. Não. O primeiro termo destacado é uma locução adverbial de instrumento, iniciada pela preposição a, e com o núcleo (substantivo) feminino que, a rigor, não vem acompanhado de artigo. Por esse motivo, não há acento grave no a. O segundo termo destacado é preposição regida pelo verbo passar que antecede o uso informal do substantivo masculino limpo. Nesse caso, não há acento grave.

7. O enunciado pode significar que a mãe presenteou a filha ou que foi presenteada por ela. A crase impede a primeira leitura.

8. Não ocorre crase antes de verbo, porque as formas verbais não são determinadas por artigo definido a; há na expressão “a realizar-se” apenas a preposição a.

9. Há crase no termo destacado, pois há a contração da preposição a, exigida pelo verbo referir, com o artigo feminino a, que está antes de um termo elíptico (oculto): moça.

10. Não ocorre crase na expressão, porque a palavra favor é masculina. Não há, portanto, a contração da preposição a com o artigo definido feminino.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*