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Exercício sobre o gênero textual ENTREVISTA

Esta é mais uma atividade de interpretação de textos já com gabarito. Ela faz parte dos exercícios do Curso Português Pra Passar, mas sempre quero compartilhar com vocês o que faço de legal por lá. Aqui você verá algumas sugestões de exercícios, mas a lista completa está disponível apenas para meus alunos do curso. Caso queira se tornar um, acesse este link ou o botão no final deste artigo.

Exercício sobre Gênero Textual: entrevista

Transcrevemos, a seguir, duas entrevistas com mulheres que cantam e compõem rap publicadas na Revista MTV, n. 22 (jan./fev. 2003), sob o título geral “Minas da rima”. Depois de lê-las, responda às questões de 1 a 5.

NEGRA LI (Liliane de Carvalho, 23 anos)

Por que você começou a cantar rap?

Um amigo de escola me convidou pra participar de um grupo, fiz uns shows com eles, e no último conheci o RZO. Quando me chamaram, achei que fosse uma participação, não imaginei que faria parte da família.

Qual é a mensagem de suas letras?

Falo do dia a dia das mulheres da periferia, de amor, decepções e do universo feminino.

Você vive de música?

Minha grana vem dos shows. As portas de emprego são fechadas por eu ser negra. Sempre foi difícil conseguir trabalhos que dependessem da aparência.

Você tem algum tipo de incentivo?

Minha família é o meu maior apoio, não me deixa desistir.

Sua vida mudou depois do rap?

Eu me tornei responsável depois que tive um reconhecimento e cresci em vários aspectos. O rap me deu mais sede de estudar, de fazer uma faculdade.

As mulheres enfrentam dificuldades para cantar rap?

Mulher encontra dificuldade em tudo o que fizer porque sempre conseguiu tudo depois do homem.

Os rappers incentivam a participação feminina?

Os caras incentivam nem que seja pra ver um corpo bonito. O rap não seria o mesmo sem o vocal da mulher. Acho que a discriminação não é da maioria. O RZO me incentivou muito, mas eu tive que provar cantando. Tem que se inspirar naquilo que é bom, deixar de lado a separação entre homens e mulheres, ser guerreira, ensaiar sempre – a pé, se for necessário.

DINÁ DEE (Viviane Lopes, 27 anos)

Como começou no rap?

Aos 7 anos cantava MPB em comícios e festivais. Acompanhava o grupo Sistema Negro e vi que o rap tinha a ver com a minha vida. Em um concurso em 1996, só com homens, fiquei em primeiro lugar.

Qual é a mensagem de suas letras?

A luta pra conseguir realizar meus sonhos. O universo feminino tem muita coisa pra ser dita. Só uma mulher pode compor sobre a mulher.

Você vive do rap?

Meu marido está preso e meu filho mora longe, não tenho condições financeiras de estar com ele. Não posso levar meu filho pra escola nem fazer comidinha pra ele. Faço show toda semana com o RZO e com o Visão de Rua de vez em quando. Hoje tenho apoio da gravadora até meu CD sair. Quando minha mãe morreu assassinada, eu estava em uma gravadora que encostou meu disco. Mas hoje quero realizar o sonho de crescer na música.

As mulheres têm dificuldades no rap?

Enfrento dificuldades por ser branca, sinto na pele a rejeição, mas não por ser mulher.

Os rappers incentivam as minas?

O Helião, do RZO, me ajudou muito, disse que eu não poderia desistir. O Natanael Valencio, que apresentava o programa de rádio Movimento de Rua, os Racionais, o Milton Salles, ex-empresário deles, também. A mulher rouba a cena no palco, tem que ter autoconfiança.

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1. Os textos conversacionais podem apresentar diferentes características, resultado de diferentes formas em que se produz o diálogo. Quando os diálogos são transcritos, colocados no papel, também podemos ter diferentes atitudes: transcrever literalmente a fala, com suas rupturas, suspensões etc, ou “fazer uma limpeza”, eliminando as marcas de oralidade e transformando o texto oral em texto escrito. Após reler atentamente as duas entrevistas, responda:

a) Pelas características apresentadas, você diria que as entrevistas reproduzidas constituem textos orais ou escritos? Por quê?

b) O estudioso Jean Michel Adam afirma que o texto conversacional se caracteriza por uma sequência de intercâmbios: pergunta + resposta + evolução. Você diria que essa sequência está presente nas entrevistas lidas?

c) De uma entrevista para outra, há ligeiras alterações no nível de linguagem do entrevistador. Aponte um exemplo dessa mudança de nível.

Gabarito do exercícios

1.
a) Deve-se perceber que as entrevistas não apresentam marcas de oralidade (frase quebrada, incompleta; suspensões; interrupções e “roubadas de turno”). Caracterizam-se, portanto, como textos escritos.

Muito provavelmente, o entrevistador enviou as perguntas por escrito e o entrevistado também respondeu por escrito. Ao contrário do que a atividade das mulheres entrevistadas poderia sugerir, não apareceram gírias nem desvios da norma padrão, como é comum nas letras de rap.

b)  Percebe-se que não há diálogo, ou seja, os textos são planejados (ao contrário da conversação face a face) e cada conjunto pergunta/resposta forma um bloco autônomo; não há encadeamento: a pergunta seguinte não é feita a partir da resposta anterior.

c)  Na segunda entrevista reproduzida, as perguntas abandonam um pouco o formalismo da primeira entrevista (embora as perguntas sejam as mesmas): “Por que você começou a cantar rap?” é trocado por “Como começou no rap?”; “As mulheres enfrentam dificuldades para cantar rap?” por “As mulheres têm dificuldades no rap?”; “Os rappers incentivam a participação feminina?” por “Os rappers incentivam as minas?”.

Não é o suficiente?

Elaborei mais seis exercícios inéditos e publiquei lá na plataforma do meu curso. Caso queira conhecer, clique no botão abaixo.

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