O planejamento do texto dissertativo

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Voltando ao conteúdo do artigo, preciso dizer que é preciso não confundir esquema com rascunho. É importante atentar para um fato: cada texto dissertativo-argumentativo, dependendo do tema e da argumentação, pede um esquema. Um texto argumentativo subjetivo, por exemplo, permite a quem vai redigi-lo utilizar certos recursos que seriam descabidos num texto argumentativo objetivo (veja aqui outros erros comuns na dissertação).

Esquema, portanto, é um guia no qual colocamos, em frases sucintas (ou mesmo em simples palavras), o roteiro a ser seguido para a elaboração do texto. No rascunho, damos forma ao texto; é nessa etapa que começamos a desenvolver as ideias do esquema.

Por ser o esquema um roteiro a ser seguido, convém dividi-lo nas partes de que se compõe o texto. Se vamos escrever uma dissertação, o esquema já deverá apresentar as três partes de que se compõe: introdução, desenvolvimento e conclusão, que, no esquema, podem vir representadas pelas letras a, b e c, respectivamente.

Na letra a, você deverá colocar a tese que vai defender; na letra b, palavras que resumam os argumentos que você apresentará para sustentar a tese e, na letra c, uma palavra que represente a conclusão a ser dada.

Ao elaborar o esquema do desenvolvimento, é comum surgirem inúmeras ideias. Registre-as todas, mesmo que você não as utilize de imediato. Essas ideias normalmente vêm de forma caótica; por isso, mais tarde é preciso ordená-las, selecionando-as por ordem de importância. A esse processo dá-se o nome de hierarquização de ideias.

O primeiro passo para a elaboração do esquema é ter entendido o tema, pois de nada adiantará um ótimo esquema, se ele não estiver adequado ao tema proposto. Vamos demonstrar esse processo analisando a proposta de redação do vestibular da Vunesp em 2001.

Algumas pessoas dizem que os exames vestibulares são injustos e que não medem com precisão o conhecimento dos candidatos. Outras afirmam o contrário: os exames vestibulares das principais universidades do país são, no momento, os mais adequados instrumentos de avaliação e de seleção dos candidatos.

Alguns políticos sugerem que o acesso às universidades seja feito por análise de currículo, isto é, do rendimento do candidato ao longo da Escola Fundamental e Média. Outros, julgando que isso beneficiaria os alunos de escolas particulares, pleiteiam reserva de 30, 40 ou até 50 por cento de vagas nas universidades públicas para alunos das escolas públicas, único modo de evitar a injustiça social; mas há quem afirme que tal reserva também seria uma forma de injustiça, pois não premiaria o mérito, o esforço e o conhecimento dos estudantes e, além disso, esconderia o verdadeiro problema, que é a baixa qualidade do ensino nas escolas públicas.

O Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, que busca verificar, por meio de uma redação e de 63 questões de múltipla escolha, se o estudante assumiu determinadas habilidades e competências durante o Ensino Médio, é por vezes apresentado como um possível substituto dos exames vestibulares.

Alguns professores, todavia, não concordam com essa ideia, por entender que o Exame Nacional não verifica o que é, de fato, ensinado, e que as questões de múltipla escolha não são o melhor instrumento de avaliação. Lembram também que um só exame para selecionar os vestibulandos de todo o País seria operacionalmente inviável e sujeito a erros e distorções.

Já houve quem sugerisse, na década de 10, que as universidades públicas efetuassem um sorteio de suas vagas, como forma de atingir todos os estratos sociais; já se sugeriu, também, que as universidades deveriam unificar seus exames vestibulares, pois isto pouparia esforços e gastos dos candidatos e de suas famílias, mas alguns analistas lembraram que tal unificação prejudicaria a liberdade dos candidatos de optar e concorrer apenas aos cursos e vagas das universidades que preferissem.

As fundações e comissões elaboradoras e aplicadoras de exames vestibulares das universidades públicas, por outro lado, declaram que incentivam permanentemente estudos e pesquisas, cujo resultado tem sido o aperfeiçoamento progressivo de suas provas como instrumentos de avaliação e de seleção.

Enquanto professores, educadores, especialistas, jornalistas, diretores de escolas e de cursos pré-vestibulares, reitores e autoridades educacionais sempre são consultados a respeito de tais temas e continuam alimentando a polêmica, só raramente se pergunta a um dos maiores interessados na questão, que é o próprio candidato. Neste ano, marcado por reflexões sobre os principais problemas brasileiros, é bastante oportuno perguntar a você, vestibulando, o que pensa dos exames vestibulares e dos diferentes modos propostos ou já tentados para substituí-los. Seria para melhor? Para pior? Dever-se-ia acabar com os vestibulares ou aperfeiçoá-los? Você vê outras soluções para este problema, que tem mais de 80 anos?

Releia com atenção esse texto e, a seguir, escreva uma redação, de gênero dissertativo, sobre o tema:

Os exames vestibulares e o acesso à universidade.

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Como você pôde observar, na proposição, a Vunesp reproduziu argumentos variados – tanto de educadores e comissões elaboradoras de vestibulares como de políticos, jornalistas e demais pessoas envolvidas com a questão. Em todos os casos, procurou alinhar posições que refletem diferentes pontos de vista. No fim, pede a palavra do vestibulando, o seu posicionamento.

Após ler e reler os vários argumentos, o vestibulando deveria assumir uma posição, defendendo este ou aquele processo de avaliação que daria acesso à universidade (essa seria a sua tese). Para tanto, ele utilizaria a base de alguns argumentos citados e lançaria algum argumento novo (o que constituiria o desenvolvimento de seu texto). Finalmente, fecharia o texto com uma conclusão coerente com sua tese e que estaria sustentada pelos argumentos apresentados.

Nesse caso, em que vários argumentos (e alguns contra-argumentos) podem ser apresentados, a elaboração de um esquema torna-se imprescindível.

O parágrafo

Já foi dito que, antes de redigir, é necessário planejar. E planejar envolve não só a seleção de ideias, mas a estruturação delas dentro de um texto, que será organizado em parágrafos. Portanto, é sobre essas unidades textuais (os parágrafos) que vamos falar agora.

De modo geral, um parágrafo-padrão está centrado numa ideia principal que, por sua vez, está circundada por ideias secundárias. Obviamente, dependendo do tema, do autor e do público a que se destina, podem-se encontrar as mais variadas, estruturas de parágrafos. Essa concepção básica de parágrafo, no entanto, serve como modelo para nossas reflexões.

Observe este parágrafo, retirado do livro As formas do falso, de Walnice Nogueira Galvão (trata-se de um estudo sobre Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa):

Dá-se o nome de sertão a uma vasta e indefinida área do interior do Brasil, que abrange boa parte dos Estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Goiás e Mato Grosso. É o núcleo central do país. Sua continuidade é dada mais pela forma econômica predominante, que é a pecuária extensiva, do que pelas características físicas, como tipo de solo, clima e vegetação. Embora uma das aparências do sertão possa ser radicalmente diferente de outra não muito distante – a caatinga seca ao lado de um luxuriante barranco de rio, o grande sertão rendilhado de suas veredas -, o conjunto delas forma o sertão, que não é uniforme, antes bastante diversificado.

GALVÃO, Walnice N. As formas do falso. São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 25-6.

Desenvolvem-se, no parágrafo lido, uma ideia central: a caracterização do sertão e as ideias que gravitam em torno da ideia central: a localização geográfica, a economia predominante, as várias configurações do sertão, o conjunto formado.

Tomemos outro exemplo: a abertura do prefácio de António Cândido para o volume 5 da série Para Gostar de Ler (Editora Ática):

A cronica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.

Analisando-se a estrutura desse parágrafo, percebe-se uma ideia central – a crônica não é um “gênero maior” -, colocada numa frase clara, concisa. Essa frase serve de introdução ao parágrafo, apresentando a ideia-núcleo que será desenvolvida adiante. A essa ideia-núcleo, que apresenta o parágrafo, convencionou-se chamar de tópico frasal.

Em outros exemplos, é possível encontrar o tópico frasal colocado em duas ou até em três frases. Um tópico frasal claro, objetivo, consistente é meio caminho andado para a obtenção de um parágrafo bem redigido.

Voltando ao texto de Antônio Cândido, percebe-se que, logo após o tópico frasal, há dois períodos que são uma argumentação do tópico frasal: a crônica não confere dimensão universal à literatura; um cronista não ganharia o Prêmio Nobel. Finalmente, observamos que o último período do texto constitui uma conclusão, retomando o tópico frasal – a crônica é um gênero menor. Observe o esquema do parágrafo:

texto-dissertativo-esquema

É isso, amigos. Na dissertação é necessário planejar eficientemente aquilo que se deseja escrever para que aproveitemos bem o tempo da prova e tenhamos um resultado esperado numa prova que pode nos levar à independência financeira, no caso de um concurso com bons salários.

O planejamento do texto dissertativo
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