Você sente que domina a interpretação de textos, mas trava diante de questões de gramática normativa ou análise literária? Pois saiba que a Fuvest é mestre em cobrar esses temas de forma integrada. Neste guia completo, vamos analisar as questões de 1 a 26 da 1ª fase, trazendo a teoria por trás de cada acerto e a visão estratégica que você precisa para não cair em pegadinhas.
A prova de Português e Literatura da Fuvest exige não apenas leitura, mas uma percepção aguçada do significado das expressões e do contexto das obras obrigatórias. Portanto, entender a estrutura da oração e a voz do narrador é fundamental para sua aprovação.
A Teoria da Análise Textual e Literária Descomplicada
A prova de Português deste ano pode ser considerada de dificuldade média para fácil. As questões de interpretação de textos exigiram um vocabulário adequado aos vestibulandos, enquanto a gramática valorizou a capacidade de perceber o significado das expressões em vez de apenas reconhecer a nomenclatura gramatical.
A análise literária abrangeu nove dos dez livros indicados, o que reforça a necessidade de uma leitura dedicada às obras. Nesse sentido, o domínio dos recursos de estilo, como o caráter impressionista de certas descrições e o uso particular do narrador machadiano, são pontos-chave para gabaritar.
Além disso, fique atento a figuras de linguagem complexas, como o anacoluto (quebra da estruturação lógica da frase), que costumam ser classificadas como questões difíceis.
Como isso cai na prova? (Visão de Banca)
A Fuvest tem padrões claros de cobrança que você deve observar:
- Identificação de Referências: O uso de pronomes (como “este” e “esse”) para indicar a posição do narrador em relação ao objeto e ao interlocutor.
- Variação Linguística: O reconhecimento de usos típicos da variante popular da língua em contraste com a norma culta.
- Vozes Narrativas: A distinção entre narrador em terceira pessoa e a assimilação do ponto de vista da personagem.
- Contexto Literário: A relação entre o progresso tecnológico e o saber cultural em poetas como Castro Alves.
Portanto, estude as relações semânticas estabelecidas pelas preposições e conjunções, pois elas definem causas, lugares e oposições fundamentais para a interpretação correta.
Questões Práticas
QUESTÃO 1. (Fuvest) Considere as seguintes afirmações:
I. A qualidade do filme encontra-se na adequação do estilo ao tema desenvolvido.
II. Espectadores de olhar imediatista não conseguem apreciar filmes que mostram lugares distantes do meio urbano.
III. Filmes cuja narrativa tem ritmo cadenciado exigem do espectador uma atitude diversa da que lhe é habitual.
Está correto, em relação ao texto, apenas o que se afirma em:
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) II e III.
(D) I.
(E) I, II e III.
QUESTÃO 2. O termo mérito em “Tal mérito não ocupa…” refere-se a:
(A) Kenoma.
(B) olhar imediatista.
(C) acúmulo de imagens.
(D) principal qualidade.
(E) modo escancarado.
QUESTÃO 3. No 2º período do texto, o advérbio não localizar-se-ia melhor se posto imediatamente antes do elemento que está negando:
(A) tal mérito.
(B) a tela.
(C) de modo escancarado.
(D) por meio do acúmulo.
(E) de imagens.
QUESTÃO 4. A frase em que a grafia está inteiramente correta é:
(A) A rescessão asiática, o colapso russo e a perda de vultuosas quantias roubaram a expontaneidade do mercado de investidores.
(B) Nessas inserções, todas as disfunções familiares, sem exceção, vêm à tona, sempre acompanhadas de forte descarga emocional.
(C) Sua Magestade não admitiu a indiscreção do ministro, expulsando-o, imediatamente, da Corte.
(D) As medidas tomadas pelo Governo contra a inflação não atendem às espectativas da população e, certamente, não sortirão os resultados esperados.
(E) Estudiosos mostram-se apreensivos diante da eminência do recrudecimento das superstições nas sociedades capitalistas.
QUESTÃO 5. Neste excerto de Tuim criado no dedo:
(A) o narrador em terceira pessoa emprega o discurso indireto para assimilar o ponto de vista do menino.
(B) repetições, diminutivos, simplicidade sintática introduzem no discurso a perspectiva do menino.
(C) a escassez de adjetivos torna concreta a visão substantiva, própria da infância.
(D) o narrador em primeira pessoa utiliza o discurso direto para recriar a visão infantil.
(E) diminutivos, predominio da subordinação e sinestesias recriam o registro da percepção infantil.
QUESTÃO 6. Das afirmações sobre o verbo assinalado em “que tem no Brasil”, qual a única incorreta?
(A) É um uso típico da variante popular da língua.
(B) Pode ser corretamente substituído por há.
(C) Seu valor semântico difere daquele que apresenta nas demais ocorrências.
(D) É um verbo impessoal cujo objeto direto é o pronome que.
(E) Pode ser corretamente substituído por existe.
QUESTÃO 7. Em que frase o espaço em branco deve ser preenchido apenas com pronome relativo e não com pronome relativo regido de preposição?
(A) Trata-se de jóias de família ________ jamais me desfarei.
(B) O candidato expôs planos ________ ninguém confiou.
(C) Nesta rua, os serviços ________ você tem acesso são inúmeros.
(D) Foi positivo o resultado ________ a empresa atingiu.
(E) Eis o documento ________ cópia me refiro.
QUESTÃO 8. Em relação às mudanças econômicas e tecnológicas mencionadas no texto, é correto afirmar que:
(A) a avaliação delas comporta posicionamentos tanto opostos quanto intermediários.
(B) há um acordo quanto à nomenclatura usada, embora essas mudanças sejam definidas de muitas maneiras.
(C) a intelectualidade reconhece seu ritmo intenso, mas o faz de um modo disfarçado.
(D) a falta de entendimento sobre sua natureza é causa da vulgarização do termo globalização.
(E) se justifica o uso do termo globalização, uma vez que tais mudanças funcionam como instrumento de conhecimento.
QUESTÃO 9. Substituindo por pronome pessoal oblíquo o complemento de afetariam, na mesma frase em que ocorre, obtém-se:
(A) afetá-las-iam.
(B) afetariam-nas.
(C) as afetariam.
(D) lhes afetariam.
(E) afetar-lhes-iam.
QUESTÃO 10. O anacoluto (quebra da estruturação lógica da frase), presente no provérbio “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, também se verifica em:
(A) Quem o mal deseja ao seu vizinho, vem o seu pelo caminho.
(B) Quem anda sem dinheiro, não arranja companheiro.
(C) Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
(D) Quem anda depressa é quem mais tropeça.
(E) Quem com o demo anda, com o demo acaba.
QUESTÃO 11. Observando-se os recursos de estilo presentes na composição desse trecho (O primo Basílio), é correto afirmar que:
(A) o acúmulo de pormenores induz a uma percepção impessoal e neutra do real.
(B) a descrição assume caráter impressionista, dando também dimensão subjetiva à percepção do espaço.
(C) as descrições veiculam as impressões do narrador, e o monólogo interior, as da personagem.
(D) a carência de adjetivos confere caráter objetivo e real à representação do espaço.
(E) o predomínio da descrição confere caráter expressionista ao relato, eliminando seus resíduos subjetivos.
QUESTÃO 12. O segmento do texto em que a preposição de estabelece uma relação de causa é:
(A) “ao pé de uma casa amarelada”.
(B) “escada, de degraus gastos”.
(C) “gradeadozinho de arame”.
(D) “parda do pó acumulado”.
(E) “luz suja do saguão”.
QUESTÃO 13. O prefixo presente em semidéia tem o mesmo valor semântico do prefixo que há em:
(A) hipotensão.
(B) perifrase.
(C) anfiteatro.
(D) subalterno.
(E) hemisfério.
QUESTÃO 14. A relação semântica expressa pelo termo logo no verso “Não tenho, logo, mais que desejar” ocorre igualmente em:
(A) Não se lembrou de ter um retrato do menino. E logo o retrato que tanto desejara.
(B) Acendia, tão logo anoitecia, um candeeiro de querosene.
(C) É um ser humano, logo merece nosso respeito.
(D) E era logo ele que chegava a esta conclusão.
(E) Adoeceu, e logo naquele mês, quando estava cheio de compromissos.
QUESTÃO 15. A conjunção mas, que aparece no início do primeiro terceto, é usada para:
(A) apresentar uma síntese das idéias contidas nos quartetos, que funcionam como tese e antítese.
(B) opor à satisfação expressa nos quartetos a insatisfação trazida por uma idéia incompleta e pelo conformismo.
(C) substituir o conectivo e, assumindo valor aditivo, já que não há oposição entre os quartetos e os tercetos.
(D) iniciar um pensamento conclusivo, podendo ser substituído pelo conectivo portanto.
(E) introduzir uma ressalva em relação às idéias que foram expressas nos quartetos.
QUESTÃO 16. É correto afirmar que, nesse soneto (Camões):
(A) a experiência individual e a reflexão filosófica, alternando-se e conjugando-se, encaminham o desenvolvimento do poema.
(B) a fusão do eu e do outro, almejada no amor, produz a conversão da forma em simples matéria.
(C) a influência platônica, patente no texto, determina a renúncia ao impulso erótico-amoroso.
(D) a oscilação entre ascetismo e erotismo, típica do autor, resolve-se pela eleição da mulher imaterial e dessexuada.
(E) os excessos da imaginação amorosa produzem uma confusão mental que caberá à razão disciplinar.
QUESTÃO 17. A frase que expressa uma relação de semelhança incorreta (ou falsa) entre as personagens Lula de Holanda e mestre José Amaro (Fogo morto) é:
(A) Os dois têm filhas solteiras, que são profundamente infelizes.
(B) São homens orgulhosos, com traços de mania de superioridade.
(C) Um e outro apresentam suscetibilidade e desconfiança exacerbadas.
(D) Ambos são marcados pela doença, que os expõe à curiosidade pública.
(E) Ambos procuram compensar na religiosidade as infelicidades da vida pessoal.
QUESTÃO 18. O tratamento dado aos temas do livro e do trem de ferro nestes versos permite afirmar corretamente que, no contexto de Espumas flutuantes:
(A) o poeta romântico assume o ideal do progresso, abandonando as preocupações com a História.
(B) o entusiasmo pelo progresso técnico e cultural determina a superação do encantamento pela natureza.
(C) o entusiasmo pelo progresso cultural contrapõe-se ao temor do progresso técnico, que agride a natureza.
(D) o poeta romântico abre-se ao progresso e à técnica, em que não vê incompatibilidade com os ciclos naturais.
(E) o poeta romântico propõe que literatura e natureza somem forças contra a invasão do progresso técnico.
QUESTÃO 19. A frase em que a correlação de tempos e modos verbais foge às normas da língua escrita padrão é:
(A) Pode-se prever que os ideólogos do capitalismo usarão todos os apelos populistas de que puderem valer-se para introduzir um forte golpe.
(B) Em 1970, não houve argumento capaz de convencer a imprensa paulista de que seria de interesse geral a 1ª Bienal Internacional do Livro.
(C) Todos seríamos escravos de idéias maniqueístas, não fora o trabalho desenvolvido pelos filósofos iluministas.
(D) Agora que ensandeceste, se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver.
(E) Se os parlamentares tivessem tido preocupação de discutir com seriedade as propostas, os leitores só poderão estar satisfeitos.
QUESTÃO 20. Se iniciarmos a segunda estrofe pelo pronome tu, os verbos abris e fazei, que aparecem no texto, deverão mudar, respectivamente, para:
(A) abre; faz.
(B) abras; faças.
(C) abres; faze.
(D) abre; faça.
(E) abres; fazes.
QUESTÃO 21. O emprego dos pronomes este e esse, no início do texto (Memórias póstumas de Brás Cubas):
(A) tem a finalidade de distinguir entre o que já se mencionou (mundo) e o que se vai mencionar (livro).
(B) marca a oposição entre o concreto (mundo real) e o abstrato (mundo da ficção).
(C) faz uma distinção decorrente da diferença entre a posição do narrador e a do leitor.
(D) é conseqüência da oposição entre passado (livro) e presente (mundo).
(E) é indiferente; assim como hoje, esses pronomes não têm valor distintivo.
QUESTÃO 22. A alternativa em que o termo senão apresenta o mesmo valor gramatical expresso em “O senão do livro” é:
(A) O motivo não pode ser outro senão que a melancólica paisagem.
(B) Falara como pai, senão como juiz.
(C) Ninguém senão seu irmão o ouvia.
(D) Resplandecia aos olhos dos homens, formosa sem senão.
(E) Não o apanhara senão para ter uma parte na glória e no serviço.
QUESTÃO 23. Tendo em vista o contexto das Memórias póstumas de Brás Cubas, é correto afirmar que, nesse excerto:
(A) as imagens que se referem ao próprio livro, mesmo exageradas, apontam para características que esse romance de fato apresenta.
(B) ao ponderar a opinião do leitor, o narrador novamente evidencia o respeito e a consideração que tem por ele.
(C) o movimento autocrítico põe em relevo, principalmente, a modéstia e a contenção características do narrador.
(D) o fato de o narrador dirigir-se diretamente ao leitor configura um momento de exceção no livro.
(E) a atitude do narrador contradiz a constância e a persistência com que habitualmente executa seus projetos.
QUESTÃO 24. Refere-se corretamente a Alguma poesia, de Drummond, a seguinte afirmação:
(A) A imagem do poeta como gauche revela a sua militância na poesia engajada e participante, de esquerda.
(B) As oposições sujeito-mundo e província-metrópole são fundamentais em vários poemas.
(C) A filiação modernista do livro liberou o poeta das preocupações com a elaboração formal dos poemas.
(D) O livro não contém textos metalingüísticos, o que caracteriza a primeira fase do autor.
(E) A ironia e o humor evitam que o eu-lírico se distancie ou se isole, proporcionando-lhe a comunhão com o mundo exterior.
QUESTÃO 25.
I- Dirigindo-se a um interlocutor presente, que não fala ou cujas palavras não são registradas (…) o narrador põe em questão a identidade do homem e o sentido último da vida.
II- Colocando o seu foco na relação entre o letrado e o iletrado, dela o conto extrai efeitos de suspense e humor.
I e II referem-se, respectivamente, aos seguintes contos de Primeiras estórias:
(A) “O espelho” e “Famigerado”.
(B) “A terceira margem do rio” e “Famigerado”.
(C) “O espelho” e “A terceira margem do rio”.
(D) “Pirlimpsiquice” e “A terceira margem do rio”.
(E) “Pirlimpsiquice” e “Famigerado”.
QUESTÃO 26. Em Morte e vida severina, um dos motivos pelos quais Severino não encontrará emprego no local a que chegara encontra-se em:
(A) Ao homem rústico falta competência para enfrentar o meio agreste e desenvolver técnicas necessárias para fazê-lo.
(B) Os interesses da modernização financeira e industrial tornam ainda mais difícil para o homem rústico a obtenção de emprego.
(C) Por ser desprovido de cultura religiosa e de vínculos com o Catolicismo, o sertanejo marginaliza-se ao chegar à Zona da Mata.
(D) A grande fragilidade física a que chegou o retirante torna-o inapto para o trabalho pesado exigido na região.
(E) Tendo experiência apenas na criação de gado, o sertanejo encontra-se deslocado em meio à cultura da cana-de-açúcar.
Gabarito:
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(B) A afirmação II é falsa; o texto só comenta a dificuldade específica de apreender a qualidade de Kenoma.
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(D) “Tal mérito” retoma a expressão “principal qualidade” mencionada no início do texto.
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(C) O advérbio “não” nega diretamente a locução “de modo escancarado”.
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(B) As outras opções possuem erros como “rescessão” (recessão), “vultuosas” (vultosas), “Magestade” (Majestade), “espectativas” (expectativas) e “eminência” (iminência).
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(B) O uso de repetições e diminutivos recria a percepção infantil, sem usar discurso indireto ou subordinações complexas.
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(E) Ao substituir “tem” por “existe”, a concordância ficaria incorreta; o correto seria “existem” no plural.
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(D) O verbo “atingir” é transitivo direto, dispensando preposição.
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(A) O texto menciona que não há consenso, variando entre avaliações positivas, negativas ou matizadas.
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(C) O pronome “as” é atraído para antes do verbo pelo pronome relativo “que”.
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(A) O anacoluto marca uma grande inversão da ordem direta dos termos da oração.
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(B) Adjetivos subjetivos e diminutivos conferem caráter impressionista à descrição.
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(D) “Do pó acumulado” indica a causa da cor parda da janela.
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(E) O prefixo latino semi equivale ao grego hemi.
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(C) “Logo” equivale a “portanto”, indicando uma conclusão.
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(E) A conjunção introduz uma ressalva ou oposição entre a reflexão filosófica e a experiência individual.
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(A) O soneto camoniano desenvolve-se conjugando experiência individual e reflexão filosófica.
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(E) José Amaro compensa frustrações por introspecção e ação externa, não pela religiosidade.
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(D) Castro Alves expressa que o saber e a tecnologia são imprescindíveis e compatíveis com a natureza.
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(E) A forma “tivesse tido” exige a correlação com “poderiam estar”.
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(C) “Vós abris” equivale a “tu abres” e “fazei vós” equivale a “faze tu”.
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(C) Brás Cubas usa “este” para o que está próximo (livro) e “esse” para o interlocutor/objeto distante (mundo).
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(D) “Senão” tem o sentido de defeito ou falha.
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(A) O narrador machadiano comenta seu próprio labor narrativo, interagindo com o leitor.
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(B) A poética de Drummond reside na tensão entre sujeito-mundo e província-metrópole.
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(A) “O espelho” foca na busca de identidade e “Famigerado” no significado das palavras.
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(B) A modernização financeira (bancos) e industrial (usinas) dificulta a sobrevivência do retirante.
Conclusão
Dominar a análise de textos e obras literárias da Fuvest é essencial para garantir sua vaga. Portanto, revise as relações semânticas das preposições, os tempos verbais e as características de cada autor clássico. Dessa forma, você transformará a complexidade da prova em pontos garantidos na sua folha de respostas.
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