Machado de Assis e o Realismo: Análise de D. Plácida em Memórias Póstumas de Brás Cubas

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Você já se pegou tentando decifrar as ironias e críticas sociais de Machado de Assis nas provas de Literatura? Pois saiba que entender a construção dos personagens machidianos é fundamental para arrasar no ENEM e em concursos públicos.

Portanto, neste artigo, você vai desvendar como Machado de Assis utiliza o episódio de D. Plácida para expor as relações de poder e hipocrisia da sociedade do Segundo Reinado. Além disso, vamos analisar questões práticas que ajudarão você a dominar esse conteúdo cobrado nas provas.

O Realismo de Machado de Assis: Entendendo o Contexto

Machado de Assis é o maior nome do Realismo brasileiro. Diferentemente do Romantismo, que idealizava personagens e situações, o Realismo expõe a verdade crua da sociedade. Nesse sentido, Machado não poupa ninguém: elite, burguesia, pobres — todos são retratados com suas contradições e mesquinharias.

Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o narrador é um defunto-autor que conta sua vida sem pudores. Aliás, essa é uma das grandes sacadas de Machado: o narrador morto tem liberdade total para ser sincero (e cínico).

Características do Realismo machadiano:

  • Análise psicológica profunda dos personagens
  • Crítica à hipocrisia social
  • Ironia e pessimismo
  • Foco nos interesses materiais e nas relações de poder

ERRADO: “Machado de Assis idealiza os personagens e mostra a sociedade de forma romântica.”
CERTO: “Machado de Assis retrata os personagens com realismo psicológico, expondo suas contradições e interesses egoístas.”

Contudo, é importante entender que Machado não apenas critica — ele disseca. Portanto, cada personagem revela uma faceta da sociedade brasileira do século XIX. Quer aprofundar mais em Literatura? Visite a categoria Mais Português e confira outros conteúdos essenciais para sua aprovação.

D. Plácida: A Alcoviteira e a Hipocrisia Social

No fragmento apresentado, Brás Cubas narra como convenceu D. Plácida a facilitar seus encontros adúlteros com Virgília. Entretanto, observe a frieza com que ele descreve a manipulação da pobre senhora.

D. Plácida inicialmente sente nojo de si mesma ao aceitar o papel de alcoviteira. Ademais, Machado mostra que ela tinha consciência moral do que estava fazendo. Porém, Brás Cubas a manipula com uma história inventada e, principalmente, com dinheiro (o pecúlio de cinco contos).

A crítica social está em várias camadas:

  • A elite (Brás Cubas) usa seu poder econômico para comprar a consciência alheia
  • D. Plácida precisa do dinheiro para sobreviver na velhice
  • A religiosidade (rezar para a Virgem) serve para acalmar a consciência, não para mudar as ações

Portanto, Machado desmascara a hipocrisia: todos se acomodam em seus papéis, desde que haja compensação material. Isso mostra o materialismo e a falta de valores genuínos da sociedade da época.

Como Machado de Assis Cai nas Provas?

As bancas adoram cobrar a ironia machadiana. Além disso, questões sobre realismo psicológico e crítica social são frequentes no ENEM e em concursos como os da Cebraspe, FGV e Vunesp.

Pegadinhas comuns:

  • Confundir Realismo com Romantismo (cuidado!)
  • Não identificar a ironia do narrador
  • Ignorar a crítica social implícita nos trechos

A FGV, por exemplo, costuma pedir análises de trechos literários com foco na construção do personagem. Já a Cebraspe gosta de questões sobre intertextualidade e contexto histórico. Nesse sentido, conhecer bem o estilo machadiano é essencial.

Questões Práticas para Fixar o Conteúdo

Agora vamos praticar com questões dissertativas baseadas no fragmento de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Portanto, leia com atenção e responda com calma.

D. Plácida
Brás Cubas revela como D, Plácida aceitou a função de “alcoviteira” para os encontros adúlteros entre ele e Virgília.
(…)
Virgília fez daquilo um brinco; designou as alfaias mais idôneas, e dispô-las com a intuição estética da mulher elegante; eu levei para lá alguns livros, e tudo ficou sob a guarda de D. Plácida, suposta, e, a certos respeitos, verdadeira dona da casa.
Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. Eu queria angariá-la, e não me dava por ofendido, tratava-a com carinho e respeito; forcejava por obter-lhe a benevolência, depois a confiança. Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resis¬tência do pai, a dureza do marido, e não sei que outros toques de nove¬la. D. Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que D. Plácida era minha sogra.
Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, […] como um pão para a velhice. D. Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma imagem da Virgem, que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 171. (Fragmento)
• Alfaias: móveis e utensílios em uma casa.
• Idôneas: adequadas, corretas.
• Angariá-la: conquistá-la.
• Forcejava: fazia esforço, empenhava-me.
• Pecúlio: reservas, economias.

QUESTÃO 1. No trecho anterior, Brás Cubas fala do “arranjo” que providenciou para que pudesse viver sua relação adúltera com Virgília, uma mulher casada. Que arranjo foi esse?

a) Qual deveria ser o papel de D. Plácida nessa situação?

b) Como D. Plácida reagiu à função que deveria desempenhar?

QUESTÃO 2. Qual é a estratégia de Brás Cubas para conquistar D. Plácida?

a) Ele sugere que D. Plácida aceitou prontamente sua história para ficar em paz com a consciência. Explique por quê.

b) De que maneira o relato de Brás Cubas sobre o modo como ganhou a confiança de D. Plácida revela o olhar realista de Machado de Assis para a sociedade em que vive?

QUESTÃO 3. Qual é o retrato, bastante cínico, que Brás Cubas faz de D. Plácida no final? Brás Cubas é um representante da elite. De que maneira esse retrato revela a sua visão de mundo em função da posição social que ocupa?

GABARITO COMENTADO:

Questão 1: Brás Cubas alugou uma casa onde ele e Virgília poderiam se encontrar secretamente. D. Plácida deveria ser a “dona da casa” (na aparência), mas sua função real era facilitar e encobrir os encontros adúlteros. Ela reagiu inicialmente com resistência e nojo de si mesma, chorando e evitando olhar para Brás Cubas nos primeiros dois meses.

Questão 2: Brás Cubas usou duas estratégias: tratamento respeitoso e carinhoso para ganhar sua benevolência, e depois inventou uma história patética de amor impossível para justificar moralmente a situação. D. Plácida aceitou a história porque era uma “necessidade da consciência” — ela precisava de uma narrativa que justificasse sua ação imoral para si mesma. Isso revela o olhar realista de Machado ao mostrar como as pessoas criam justificativas para ações moralmente questionáveis, especialmente quando há interesse material envolvido.

Questão 3: Brás Cubas sugere que D. Plácida perdeu o nojo de si mesma graças ao dinheiro (o pecúlio de cinco contos) e às orações. O retrato é cínico porque mostra que a consciência pode ser comprada. Como membro da elite, Brás Cubas vê as pessoas de classe inferior como mercadorias que podem ser manipuladas com dinheiro. Seu cinismo revela a naturalização da exploração social — para ele, comprar a consciência de D. Plácida é um ato normal, até generoso.

Conclusão: Domine Machado de Assis e Garanta Pontos na Prova

Entender a ironia e a crítica social em Machado de Assis não é apenas decorar conceitos — é desenvolver senso crítico. Portanto, releia os textos com atenção aos detalhes e às entrelinhas.

Ademais, pratique com questões dissertativas e objetivas para fixar o conteúdo. Assim, você estará preparado para qualquer cobrança sobre Realismo no ENEM ou em concursos públicos.

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