Prova para concurso do Judiciário

Há algo de muito difícil nos concursos públicos e que tem perturbado a maioria dos estudantes que desejam fazer uma boa prova.

As questões de interpretação de textos variam de banca para banca e aqueles que se preparam acabam sendo pegos de calça curta.

Mas existe um caminho para aqueles que querem uma vaga num concurso público ou mesmo os que desejam descobrir os segredos do Enem que é estudar a interpretação de textos fazendo exercícios de provas anteriores e se preparando adequadamente para a prova de redação aprendendo a fazer uma boa redação dissertativa.

Bem, estudar interpretação de textos vai muito além do simples ler e encontrar a resposta no texto. Esse conhecimento é superficial.

Interpretar um texto com eficácia é perceber as relações de sentido entre suas partes e em como isso interpreta a realidade que vivemos.

Este exercício de interpretação que trago hoje pra vocês fez parte da prova para Assistente Judiciário do TRT da 9ª região.

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Como se vê, não é possível menosprezar o conhecimento da Língua Portuguesa ainda que sua carreira nada tenha a ver com o lecionar.

Vamos fazer estes exercícios então e , ao final, confira o gabarito comentado sobre cada uma das questões abaixo.

É uma boa forma de treinar para fazer um dos muitos concursos que virão neste ano. Bons estudos.

Exercícios para prova para concurso do judiciário

Rio de Janeiro – Lembra-se de quando o Brasil era o país do futuro?

Primeiro foi um gigante adormecido (“em berço esplêndido”), que um dia iria acordar e botar pra quebrar.
Depois tornou-se o país do futuro, um futuro  de riqueza, justiça social e bem-aventurança.
Eram tempos, aqueles, de postergar tudo o que não podia ser realizado no presente. A dureza do regime militar deixava poucas brechas para que se ousasse fazer alguma coisa que não fosse aquilo já previsto, planejado, ordenado pelos generais no poder.
Só restava então aguardar o futuro, que nunca chegava (mais uma vez vale lembrar: foram 21 anos de regime autoritário).
O pior é que, mesmo depois de redemocratizado o país, a coisa continuou e continua meio encalacrada, com muitos sonhos tendo de ser adiados a cada dia, a cada nova dificuldade. Com a globalização, temos  que encarar (e temer) até as crises que ocorrem do outro lado do mundo. Todavia há que se aguardar o futuro com otimismo, e alguma razão para isso existe.
Dados de uma pesquisa elaborada pela Secretaria de Planejamento do governo de São Paulo revelam que o Brasil chegará ao próximo século, que está logo ali na esquina, com o maior contingente de jovens de sua história.
Conforme os dados da pesquisa, somente na faixa dos 20 aos 24 anos serão quase 16 milhões de indivíduos no ano 2000.
Com esses dados, o usual seria prever o agravamento da situação do mercado de trabalho, já tão difícil para essa faixa de idade, e de problemas como a criminalidade em geral e o tráfico e o uso de drogas em particular.
Mas por que não inverter a mão e acreditar, ainda que forçando um pouco a barra, que essa massa de novas cabeças pensantes simboliza a chegada do tal futuro? Quem sabe sairá do acúmulo de energia renovada dessa geração a solução de problemas que apenas se perpetuaram no fracasso das anteriores?
Nada mal começar um milênio novinho em folha com o viço, a ousadia e o otimismo dos que têm 20 anos.

(Luiz Caversan – Folha de São Paulo, 28.11.98)

1) Encontra apoio no texto a afirmação contida na opção:
a) A existência de 16 milhões de jovens brasileiros no ano 2000 constituirá um problema insolúvel.
b) Com a população jovem brasileira na casa dos 16 milhões, só se pode esperar o pior.
c) Não se pode pensar de forma otimista em relação ao próximo século.
d) Pode-se pensar positivamente em relação ao nosso futuro, apesar de alguns problemas.
e) Pode-se pensar de forma positiva sobre nosso futuro a partir da previsão do agravamento do desemprego.

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2) A ideia de futuro vem representada no texto por uma seqüência de conceitos. A opção que indica essa seqüência é:
a) expectativa – gigantismo – idealização – otimismo
b) otimismo – expectativa – idealização – gigantismo
c) gigantismo – otimismo – idealização – expectativa
d) expectativa – idealização – otimismo – gigantismo
e) gigantismo – idealização – expectativa – otimismo

3) A linguagem coloquial empregada no texto pode ser exemplificada pela expressão:
a) “em berço esplêndido”
b) botar pra quebrar
c) bem-aventurança
d) dados de uma pesquisa
e) somente na faixa

4) Postergar significa:
a) polemizar
b) preterir
c) manifestar
d) difundir
e) incentivar

5) Em “o maior contingente de jovens de sua história”, o substantivo “jovens”, embora masculino, refere-se tanto aos rapazes quanto às moças. É comum, porém, que na distinção de gêneros haja referência a conteúdos distintos. Nas alternativas abaixo, a dupla de substantivos cuja diferença de gêneros NÃO corresponde a uma diferença de significados é:
a) novos cabeças – novas cabeças
b) vários personagens – várias personagens
c) outro guia – outra guia
d) o faixa preta – a faixa preta
e) algum capital – alguma capital

6) Em “…começar um milênio novinho em folha com o viço, a ousadia e o otimismo dos que têm 20 anos”, a parte sublinhada é substituível, sem mudança do significado, por:
a) a juventude, a audácia
b) a competência, a imaginação
c) a criatividade, a perseverança
d) a criatividade, a coragem
e) a imaginação, o destemor

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Gabarito dos exercícios

1) Letra d. O texto fala de inúmeros problemas brasileiros, em  quase todos os seus parágrafos. Mas, nos dois últimos, muda o tom e mostra otimismo em relação ao que os jovens podem fazer pelo país. Isso fica bem claro no trecho: “Quem sabe sairá do acúmulo de energia renovada dessa geração a solução de problemas que apenas se perpetuaram no fracasso das anteriores?”

2) Letra e. A questão se reporta à ordem de aparecimento dos conceitos. Assim, temos: gigantismo  na linha 3 (“gigante adormecido”);  idealização,  linhas 5/6; expectativa, linha 11 (“só restava então aguardar o futuro”);  otimismo,  linhas 17/18.

Obs.: por causa da formatação, o número das linhas não corresponde mais como está na resposta.

3) Letra b. Muitas vezes a expressão corrente não pertence à língua culta, sendo manifestação da inventividade e improvisação do falante. “Botar pra quebrar” é uma delas. Se a observarmos bem, veremos que ao pé  da letra é destituída de significação, além de contar com a presença de uma  forma contraída da preposição para, pra, igualmente sem guarida na língua padrão.

4) Letra b. Questão de sinonímia.  Postergar  significa, entre outras coisas, deixar atrás, preterir.

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5) Letra b. Esta questão, na realidade, é independente do texto, tomado apenas como elemento motivador. Diferentemente do que ocorre com as outras palavras, personagem,  sem alteração de sentido, pode ser masculino ou feminino: o personagem é o homem ou a mulher; a personagem, também.

6) Letra a. Outra questão de sinonímia. Não há o que discutir.  Viço  significa vigor de vegetação nas plantas. Figuradamente é juventude, fase da vida em que se tem muito vigor; ousadia é o mesmo que audácia.

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