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10 erros comuns na redação do Enem (o 7 é muito comum mesmo)

Em um tempo em que os cursinhos lotam as aulas de redação nas quais os professores discutem temas, passam macetes para ir bem na prova e modelinhos de dissertação prontas, digo sempre que mais do que acertar na hora de escrever sua redação no Enem 2016, você não deve errar. Isso mesmo. Se o candidato a uma vaga numa universidade pública e, consequentemente nos programas sociais do governo, ficar de olho nas dicas que darei neste artigo, evitará uma série de problemas que podem levar, inclusive à anulação de sua prova. Atentar para isso é sair na frente porque espera-se que o candidato mostre domínio do processo de escrita. Algumas matrizes para a produção de redação no Enem, inclusive, falam sobre domínio de norma culta, coesão e construção de relações intertextuais. Vamos então às dicas? Chamo aqui de erros grosseiros na redação. Tome nota:

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Lugares-comuns ou clichês, adjetivos cristalizados, desgastados pelo uso:

Não há nada mais desgastante para um texto do que o costume de repetir infinitamente os chamados clichês ou o que chamamos de “senso comum”. Fuja disso, forme opiniões próprias com expressões também suas, que carreguem os seus pontos-de-vista de maneira absolutamente particular quando articulados. Veja “ótimos” maus exemplos:

“É uma tristeza muito grande ver até aonde o Brasil chegou.”

“Devemos lutar, com o coração cheio de esperanças, por uma pátria livre e por um povo feliz”

“Os governos devem fazer enormes esforços para que o povo desta Pátria possa ser considerado pessoas valorizadas.”

“A crise de energia é apenas uma parte da questão.”

Linguagem coloquial e abstrações grosseiras:

Você já ouviu falar que a teoria na prática é outra, não ouviu? Pois, então, acrescente a isso uma outra circunstância também já citada: falar é uma coisa e escrever é outra, completamente diferente.
Você já leu, nos meus artigos, que, às vezes, carregamos os vícios da fala para o texto que estamos escrevendo. Evite isso, vigie-se constantemente. Observe os erros mais frequentes:

a) Se o apagão vai vir para ficar… (Se o apagão virá…)

b) O presidente pegou e pensou que o povo brasileiro era burro. (O presidente pensou (imaginou) que o povo brasileiro fosse…)

c) A nível de competência, João é muito mais que José. (João é mais competente que José. A expressão a nível de jamais deve ser usada como ordem indicadora ou comparativa)

d) Com a derrota da inflação, o povo ficou hiper feliz. (…) ficou demasiadamente feliz)

e) E as deploráveis expressões coloquiais: isto quer dizer que… isto significa que… que podem ser vastamente usadas na fala (os professores usam muito, observe), mas são condenadas na escrita.

f) Então, diante das tristezas que vemos acontecer a este país, paramos e pensamos: é preciso mudar! (Aqui, o parar é apenas expressão coloquial, não use, exclua-o!)

Verdades evidentes (os conhecidos truísmos):

Os chamados truísmos são denunciadores, em primeiro lugar, da fragilidade de nossas ideias, que se deixam assentar sobre o óbvio; em segundo, denunciam o uso do senso comum, das obviedades constantes que ouvimos. Veja os exemplos:

O primeiro turno das eleições brasileiras acontece sempre em outubro…

Os homens, que são animais racionais…

Excesso  de  adjetivação para  caracterizar circunstâncias, fatos e acontecimentos:

O magnífico, inesperado e formidável desempenho da CPI da Corrupção…

Queísmo (encadeamento de quês sequenciados):

O certo é que, sabedores de que foram escolhidos pelo povo que neles votou de maneira inocente, os políticos que desonram tais votos que…

Observação: não existe apenas o queísmo; nas redações somos atacados por “maisismo”, “ezismo”, “poisismo”…

Uso de provérbios ou ditos populares:

Cuide bem disso e não corra riscos. Quando estamos sob forte pressão para escrever nossa dissertação no vestibular, acabamos por lançar mão de tais estranhezas. Fuja de todos eles, pois empobrecem o texto.

Obs.: quando muito bem usados e, em raras situações, eles são muito bem-vindos.

Tente não analisar o tema proposto sob apenas um dos ângulos da questão.

Já aprendemos que “para conhecer o gato, é preciso conhecer o ponto de vista do rato. “E a lição de Alice no País das Maravilhas é uma bela e inesquecível lição: “Se queres, Alice, conhecer o ponto de vista do gato, conheças também o ponto de vista do rato.”

Uso de gírias:

“O problema da violência é algo de que não podemos fugir. Por décadas sucessivas, assistimos ao abandono de um número incontável de neguinhos; muitos caras geram os filhos e não querem assumir. Esses caras são, na maioria, gente da pesada que não deixa de curtir seu baratoso, não dando a mínima para os filhos.”

Análise dos temas propostos utilizando emoções exageradas:

“Os bandidos são assassinos impiedosos que nunca compreenderão o que é ser humano. Roubam, matam e furtam, não levando em consideração a vida dos inocentes. Suas almas malditas hão de arder no fundo dos infernos e Deus não terá misericórdia deles. Morte aos bandidos!”

Mau título:

Outra tendência do vestibulando é colocar um título banal na dissertação. Não se esqueça de que ele, o título, é como se fosse o nosso cartão de apresentação para o corretor. Evite usar títulos longos ou, pelo contrário, títulos formados apenas por artigo + substantivo (ou artigo + adjetivo + substantivo (A reforma agrária / A beleza do país). É fatal.

Caso queira ver mais alguns erros que os alunos costumam cometer em seus textos, clique no botão abaixo e acesse meu outro site.

ERROS NA REDAÇÃO DO ENEM

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