Como iniciar um texto nota 1000 no Enem

Uma das maiores dúvidas que os alunos, concurseiros e até mesmo professores têm é como construir corretamente um texto nota 1000. Dúvidas sobre como iniciar o texto e quais os erros que devem ser evitados. Além disso, darei algumas dicas para fazer facilmente um texto são sempre buscadas nos meus sites como o portuguesprapassar.net.

Quero começar este artigo com uma sugestão de texto e exercício para reflexão. Vamos a ele.

Texto para introdução ao estudo da dissertação

No texto a seguir, há pistas que sinalizam a falta de uma parte. Siga-as e descubra qual seria a parte ausente.

Uma coluna partida, mas lembrada

É preciso um cérebro perspicaz, um espírito disciplinado e persistente para esses feitos (elemento coesivo 1), verdadeiros marcos cronológicos da vida do artista polivalente (elemento coesivo 2). Mas, em certa medida, é preciso tempo de convívio com obras de referência, personalidades que marcaram época, ícones de movimentos sociais e culturais, a fim de, na imersão da alma humana, buscar compreender como cada um viveu sua vida produtivamente, equilibrando apego ao que é de valor e desapego ao que é transitório, aos irresistíveis “olhos de ressaca”.
O túmulo de Eduardo Prado, advogado, escritor e jornalista paulistano, ostenta uma coluna romana rósea partida ao meio, símbolo de que poderia ter vivido mais. Ele foi arrancado da vida aos 41 anos pela febre amarela, no período áureo da maturidade, do espírito crítico e moderno. Seu jeito de viver a vida inspirou Eça de Queiroz a criar os personagens Jacinto de Tormes e Fradique Mendes. Eduardo viveu intensamente e foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Pelo modo como viveu e o que fez, seus 41 anos se expandiram.
Como exercitar a memória dos marcos temporais, como planejá-los se a intensidade com que se vive a vida é frequentemente alucinante, egoística, direcionada à autodestruição?
Os pais de Amy Winehouse, após o funeral da cantora, cuja vida foi curta, encerrada com alta dose alcoólica, declararam a intenção de criar uma fundação para ajudar jovens viciados em drogas, uma sugestão de que a filha falhara em seu projeto de vida.
Há cartilhas que ensinam como aplicar dinheiro, seja na Bolsa ou no Tesouro Direto. Os especialistas que estudam a alma humana deveriam escrever uma cartilha que ensinasse a consciência da passagem do tempo, como realizar algo para as próximas gerações, como levar a bom termo nosso projeto de vida.

* Nota: referência aos olhos de Capitu, protagonista do romance machadiano Dom Casmurro. Bentinho, o protagonista masculino do romance, confessa que os olhos da amada eram uma força que o arrastava para dentro, como uma vaga que se retira da praia, arrastando tudo. Ele se sentia seduzido, puxado, tragado por ela.

Eliane Hosokawa Imayuki.

Certamente, ao ler o trecho “É preciso um cérebro perspicaz, um espírito disciplinado e persistente para esses feitos (elemento coesivo 1), verdadeiros marcos cronológicos da vida do artista polivalente (elemento coesivo 2)” você deve ter se perguntado:

  • Mas quais feitos?
  • Qual artista?
  • Quem era polivalente?

Essas perguntas levam, necessariamente, a uma certeza: faltou algo anteriormente, pois essas expressões são de retomada, referem-se a algo que teria sido escrito antes.

Assim, que parte do texto faltou? Aquela que chamamos de introdução.

Toda caminhada, por mais longa que seja, começa no primeiro passo.

Toda caminhada, por mais longa que seja, começa no primeiro passo.

A introdução é o início do texto opinativo e nela o autor apresenta o ponto de partida do tema que irá desenvolver.

Pensando sobre o texto

1. Veja, a seguir, qual era a introdução do texto “Uma coluna partida, mas lembrada”. Sublinhe as expressões que justificam, no 2º parágrafo, a presença dos elementos coesivos “esses feitos” e “do artista polivalente”.

Uma coluna partida, mas lembrada

As diversas formas de interação do século XXI seduzem, empolgam nossos olhares; tragam tempo, dinheiro e valores; imprimem outro ritmo e estabelecem uma nova dinâmica ao homem pós-moderno. Se Leonardo da Vinci vivesse em nossos dias, teria o tempo de ócio, necessário aos grandes cérebros, para a criação de seus projetos? Ou estaria ele preocupado em retuitar frases famosas, em flagrar boatos de que outro cientista estaria produzindo um protótipo de “máquina voadora” mais eficiente? Ou ainda, obsessivamente, viveria para conferir no Instagram quem curtiu seus últimos rascunhos anatômicos? Justificaria, no escritório de registros de patentes, que desenvolveu apenas uma bicicleta porque “Estava sem tempo”?
É preciso um cérebro perspicaz, um espírito disciplinado e persistente para esses feitos, verdadeiros marcos cronológicos da vida do artista polivalente. Mas, em certa medida, é preciso tempo de convívio com obras de referência, personalidades que marcaram época, ícones de movimentos sociais e culturais, a fim de, na imersão da alma humana, buscar compreender como cada um viveu sua vida produtivamente, equilibrando apego ao que é de valor e desapego ao que é transitório, aos irresistíveis “olhos de ressaca”.* […]

2. Como o texto foi introduzido? Assinale uma ou duas técnicas empregadas no primeiro parágrafo.

( ) Por uma citação
( ) Por uma definição
( ) Por uma declaração
( ) Por uma comparação
( ) Por uma adjetivação
( ) Por uma pergunta ou sequência de perguntas

No exercício anterior, a resposta correta é a “Por uma pergunta ou sequência de perguntas”.

Vamos ver algumas técnicas para introduzir um texto opinativo.

1. COMO INICIAR UM TEXTO DISSERTATIVO NO ENEM, VESTIBULAR E CONCURSOS

Mesmo para quem escreve com frequência, pode ser um pouco desafiador iniciar um texto. Fica sempre a dúvida: Como começo? Com uma pergunta? Conceituando? Narrando um fato que ilustre o tema?

Leia também: Como fazer uma redação no concurso público

Um bom texto pode nascer de uma frase, de uma curiosidade, de um fato inusitado, de uma situação confusa para a qual se espera uma solução, ou por outras razões.
Às vezes, para um texto argumentativo é suficiente um bom título, um ou dois argumentos e nada mais. O final é construído no desenvolvimento desses argumentos.
O melhor mesmo é observar como bons escritores começam seus textos. A análise de algumas introduções nos permite concluir que há alguns tipos básicos de parágrafos iniciais.
A seguir, oferecemos orientações para facilitar o início de seus textos. Veja alguns exemplos de como iniciar um texto e passe a escrevê-los de modo criativo e com qualidade.

Com uma declaração

Por se tratar de uma das formas mais comuns de se começar um texto, a declaração precisa ser forte, surpreendente, a fim de instigar o leitor.

Ser brasileiro

No exterior, sempre a velha surpresa: como se sabe pouco sobre nós. Como nos exportamos mal (isso quando não nos portamos mal). De nós sabem e querem o chamado exótico. Um livro de uma brasileira que não fale de carnaval, favela, floresta e bichos parece um corpo estranho.

LUFT, Lya. índios em Paris. Veja, 18 maio 2005, p. 22.

Em seguida, o autor do texto deve estar preparado para apresentar as razões da declaração contundente. Nesse caso, Lya Luft nos conduzirá para o modo como os europeus nos veem: diferentes, estranhos, influenciados pela cultura indígena.

Com uma pergunta ou sequência de perguntas

Administradores na política

Por que os Estados Unidos são o país mais bem–sucedido do mundo? Porque são um país que resolveu o problema da miséria e da estagnação econômica, ao contrário do Brasil?

KANITZ, Stephen. “A era do administrador”. Veja, 5 jan. 2005, p. 21.

A pergunta – ou as perguntas – não precisa ser respondida na sequência do parágrafo inicial. Ela serve apenas para chamar a atenção do leitor ao tema ou argumentação e pode ser respondida ao longo do texto. Nesse artigo, Stephen Kanitz argumenta que “os Estados Unidos são um país bem administrado, um país administrado por profissionais”.

Com uma expressão nominal ou sequência de nomes seguida de explicação

Brincadeiras infantis

Pipas, jogo de bolas de gude, pião, amarelinha e danças de roda. Não há quem não tenha uma boa recordação da sua infância e das brincadeiras com seus amigos. Essas atividades proporcionam grande divertimento, além de uma ótima oportunidade para conhecer novas pessoas, fazer amizades e aprender a se relacionarem grupo.

Infância perdida. Giro da estrada, ano 2, n. 12, p. 10.

A expressão nominal ou os nomes são retomados pelas palavras brincadeiras e atividades. Ao fazer a retomada, o autor deixa evidente por que as utilizou.

Com uma definição

Uma forma bastante comum de iniciar um texto é usando uma definição. Pode ocupar só o primeiro período ou avançar pelo parágrafo. Você pode consultar dicionários ou obras especializadas no assunto, ou ainda adaptar definições colhidas em obras especializadas.

Autoestima

Segundo o Novo Dicionário Aurélio, hábito é um “conjunto de respostas da mesma natureza que se agrupam para levar a um fim”: reduzir tensão ou restabelecer o equilíbrio perdido pelo organismo quando foi exposto ao estímulo provocador da resposta. Ele surge com a repetição frequente de um ato, uso ou costume.

Especial Vida e Saúde. Drogas, p. 31.

Com uma oposição

Alimentação saudável

Por muito tempo, o ato de escolher e preparar alimentos esteve ligado à sobrevivência. Hoje sabemos que não se trata apenas de sobreviver, mas também de ter uma satisfatória qualidade de vida. O desenvolvimento da ciência da nutrição e da prevenção mostra isso.

LEMOS, Francisco. Vida e Saúde, ano 70, n. 7.

A oposição está marcada principalmente pelo articulador mas. A questão é a alimentação como prática para sobreviver, oposta à alimentação como prática para a qualidade de vida.

Com alusão a um filme, documentário, livro, poema ou a uma letra de música

Vida dos motoboys

O mérito maior do filme Motoboys – vida loca (direção de Coito Ortiz, roteiro de Giuliano Cedroni), eleito pelos espectadores o melhor documentário da recente Mostra de cinema de São Paulo, está na própria escolha do tema. É óbvio que os motoboys são um dos fenômenos urbanos mais significativos dos últimos anos da cidade de São Paulo.

TOLEDO, Roberto Pompeu de. Fascínio e terror dos motoboys. Veja, 12 nov. 2003. p. 150.

A referência ao filme e a relação dele com a temática do texto fica evidente. Em seguida, o autor justifica sua alusão e finaliza o parágrafo com uma descrição mais detalhada e um comentário avaliativo. Os motoboys “constituem um sinal de ruídos”, “expressão da civilização da urgência”, “ameaça aterrorizante”, “mensageiros da periferia.”

Com uma divisão

Relacionamentos de confiança

Duas coisas apenas são necessárias para se confiar em alguém. Primeiro você deve encontrar alguém que seja digno de confiança. Segundo, você precisa conhecê-lo. O oposto disso é também verdade. A fim de não confiar, tudo quanto se precisa fazer é encontrar quem não seja digno de confiança – e então passar a conhecê-lo.

Pode acreditar. Vida e Saúde, ano 69, n. 11, p. 50.

Ao se ler “Duas coisas…”, espera-se que o autor as explique. O parágrafo apresenta dois requisitos para se confiar em alguém usando os pares Primeiro… Segundo…, indicando as referências uma a uma.

Com uma citação direta ou indireta

Infância

Esta frase do poeta inglês Wordsworth – “O menino é o pai do homem” – serviu como título para uma crônica de Machado de Assis, e agora eu a “roubo” ao comentar o peso da infância em nossa vida adulta: pois nascemos da criança nascida de nossa mãe.

LUFT, Lya. O menino é o pai do homem. Veja, 23 ago. 2006. p. 20.

A citação recuperada pela autora é seguida de uma explicação e de uma continuidade. O recurso das aspas reforça ser ela uma citação direta. A citação indireta também é bastante comum em muitos textos. Veja como dizer a mesma coisa, utilizando o discurso indireto: o poeta inglês Wordsworth dizia que o menino é o pai do homem…

Com a retomada de um provérbio

Ética

Uma das frases mais divulgadas por empresas socialmente responsáveis é “Nós não damos o peixe, nós ensinamos a pescar”. Um dos conceitos mais valorizados por intelectuais, e especialmente por professores, é que ensinar a pescar é importante, dar o peixe não é. São pessoas que se colocam contra o assistencialismo, a caridade e a filantropia.

KANITZ, Stephen. Ensinando a pescar. Veja, 1 set. 2004. p. 20.

Escrever apenas o provérbio e não fazer comentários é ficar no lugar-comum. O autor inicia seu texto chamando a atenção para o uso comum do provérbio. Após citá-lo, faz um comentário sobre ele, ampliando seu significado.

Com uma ilustração

Tempo X desenvolvimento

Levei minha moto para ser consertada em uma pequena oficina no centro de Genebra. O mecânico abriu uma agenda (como as de médico) e me instruiu para que em oito dias voltasse com a moto às 2 horas e que fosse buscá-la às 3h 15. E assim foi.

CASTRO, Cláudio de Moura. O tempo do desenvolvimento. Veja, 24 mar. 2004. p. 20.

É possível relatar um fato para ilustrar o tema. Na sequência do parágrafo ou em parágrafos seguintes, explicita-se o motivo de ter escolhido aquela ilustração. Nesse artigo, o autor sustentará a seguinte verdade: “Quanto mais tempo se perde por desorganização ou esperando pelos outros, menos tempo se utiliza produzindo e menos riqueza é gerada.”

Com uma comparação

Vitórias na política

O presidente Lula deveria calçar as sandálias da humildade. Imagina que pode reger o desenvolvimento do país como Moisés abriu o mar em duas metades.

ALVARENGA, Tales. Sandálias da humildade. Veja, 5 jan. 2005. p. 43.

Para introduzir o tema da comemoração antecipada, típica de alguns governantes, o autor comparou o ex-presidente Lula a Moisés. Só que este tinha a certeza do milagre pela ordem expressa de Deus, e aquele ainda imagina ter as vitórias, fazendo previsões para o ano seguinte como as do tipo “mar de almirante e céu de brigadeiro”.

A comparação pode ser por semelhança ou por diferença. Nesse caso, é por diferença.

Com adjetivação

Ser ou não ser um planeta

Um ser distante e gelado, pequeno para sua espécie, enigmático, batizado com o nome de deus romano que impera sobre os infernos, vive dias decisivos – o planeta Plutão. Planeta? Essa é a questão.

TOLEDO, Roberto Pompeu de. Nova ordem no céu. Veja, 23 ago. 2006. p. 126.

A adjetivação inicial chama a atenção para as características de Plutão, o centro das discussões sobre o que é um planeta. O autor discorrerá sobre algumas das desigualdades flagrantes no Sistema Solar, sobre a problemática de definir o que é um planeta e, em consequência disso, sobre Plutão, que é menor que Xena, um corpo celeste descoberto recentemente, ser ou não um planeta.

Com mistura de técnicas

É comum o autor combinar duas técnicas, como neste exemplo, em que o início da introdução se faz por dois adjetivos e uma expressão nominal. O autor empregou, no parágrafo inicial, a descrição de um referente, ainda não citado, criando um suspense e uma consequente curiosidade. Observe: Quem será essa pessoa?

Linda. Provocante. Dona de um corpo quase perfeito. Ninguém teve maior intimidade com as comeras do que ela. As objetivas pareciam sugá-la, transformando-a num ícone feminino que exalava sensualidade. Expunha-se sem constrangimento e adorava ser vista nua.

RUEDA, Eduardo. Limites, quem precisa deles? Revista Conexão 2.0,jan.-mar, 2013, Casa Publicadora Brasileira, p. 22.

Ainda no texto intitulado “Limites, quem precisa deles?” o autor lembrará que essa mulher linda e provocante, ícone feminino, foi a maior estrela produzida por Hollywood: Marilyn Monroe. Foi dona de uma triste história, pois era insegura, solitária, depressiva, prisioneira de si mesma. Não teve limites, segundo o autor, Eduardo Rueda.

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