Por que o Cebolinha apanha tanto da Mônica

Não é segredo para ninguém que um dos recursos mais usados nas histórias em quadrinhos é a polissemia e ela nos ajudará a entender uma coisa: Por que o Cebolinha apanha tanto da Mônica? Na verdade, me atrevo a dizer que a linguagem conotativa e seus efeitos de sentido são intrínsecos das histórias em quadrinhos. Dia a dia eu vejo, principalmente nas histórias da Turma da Mônica, quadrinhos do Maurício de Sousa que assino para minhas filhas, exemplos que tenho levado com muita frequência para minhas aulas de Língua Portuguesa. Nesta tarde, na página do Facebook da Turma da Mônica vi uma história que nos exige uma compreensão deste tipo de linguagem. Correndo o risco de exagerar um pouco, creio que este artigo é necessário até mesmo para compreender os efeitos de humor presentes na história. Deem uma olhada na imagem abaixo e depois conversamos um pouco mais sobre a teoria envolvida nesta questão.

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Sou um apaixonado pela turma da Mônica. Tanto é verdade que uma das categorias de jogos que mais gosto no nosso site de jogos educativos [veja-o no menu superior] é a categoria de jogos e atividades da turma da Mônica. Essa minha paixão consegui passar para minhas filhas. Desde a mais tenra idade, elas sempre tiveram ao alcance os gibis de toda a turminha e ainda dos personagens que foram, com o tempo, incorporados. Ainda que eu não goste muito da versão jovem da turma, continuo usando, e bastante, nas minhas aulas, atividades que trazem quadrinhos, desenhos e muito mais que é produzido pela Mauricio de Sousa Produções. A imagem que apareceu anteriormente é um ótimo exemplo disso e que usarei nas primeiras aulas de interpretação de texto que darei no Ensino Médio no começo do ano letivo. O humor nesta imagem consiste não só no fato de termos a Mônica batendo no Cebolinha mais uma vez, mas no fato de haver um ruído muito significativo no processo comunicativo. Enquanto o Cebolinha falava em “bater para entrar” como um protocolo necessário quando vamos entrar num lugar em que não fomos anunciados, a Mônica entendeu no sentido de espancar o garoto como requisito para entrar. O nome disso, de entender uma mesma palavra de maneiras diferentes recebe o nome de polissemia. Às vezes, vários sentidos são atribuídos a uma mesma palavra, noutras vezes, a diferença é o fato dela ser entendida de forma conotativa ou denotativa. De qualquer forma, a polissemia ocorre sempre que tivermos vários sentidos num mesmo vocábulo.

O-que-você-precisa-saber-para-não-errar

Podemos entender melhor o que é polissemia se dominarmos os conceitos de denotação e de conotação. Vejamos então o que é isso.

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O que é Denotação/Conotação

A denotação (do latim denotatione, indicação) está presente no texto no instante em que o enunciador utiliza as palavras em sentido literal (ao pé da letra), ela “remete”, como afirma Massaud Moisés no Dicionário de termos literários, “ao que no sentido é comum a todos os falantes de uma mesma língua”. Assim, a palavra mala, em sentido denotativo, terá sempre o mesmo significado: saco de couro ou pano; caixa de madeira revestida de couro ou lona, destinada, geralmente, ao transporte de roupas (Dicionário escolar da língua portuguesa, Francisco da Silveira Bueno). A denotação move-se, mais frequentemente, no discurso científico, caracterizado pela “univocidade” das palavras (um só sentido). Nesse tipo de texto, a enunciação utiliza as palavras em sentido literal, em conformidade com o dicionário. A denotação tem sua equivalência na função referencial, também chamada função denotativa. Dessa forma, todos os textos de caráter informativo, que apresentem linguagem objetiva. Também fazem uso da denotação (livros didáticos. manuais, memorandos). Quando se tem a denotação, a carga semântica (o significado) deriva, não do contexto, mas da convenção.

Já a conotação (do latim cum + notatione, notação, marca) é empregada no texto no momento em que uma palavra ou expressão tem seu sentido literal alterado: por associação mental e por meio do encadeamento de imagens ou alusões, chega-se a um outro sentido, que não o literal. A poesia é por excelência conotativa; ao passo que a prosa narrativa típica (um romance, o conto, por exemplo) promove uma harmonia entre esses dois níveis de linguagem. Segundo Massaud Moisés, “num texto poético cada palavra pode assumir mais de um sentido, num texto em prosa (parágrafo) o vocábulo isolado tende para a denotação, e só adquire sentido conotativo no conjunto da obra em que se insere”. Compare:

  • Você é um mala, Roberto!
  • Esqueceu minha mala em casa!

Na primeira ocorrência, a palavra “mala” está em sentido figurado, conotativo: equivale a uma ofensa do tipo: “você não faz nada direito”. Na segunda ocorrência, a palavra “mala” está empregada em sentido literal, denotativo. Na primeira ocorrência temos uma metáfora, figura de linguagem associada ao aspecto semântico.

E com isso, encerramos o assunto por hora. vamos, ainda nos artigos futuros, abordar o que são figuras de linguagem e veremos que as mesmas serão estudadas segundo o seguinte critério:

a)  associadas ao aspecto fonético (fonema, som);
b)  associadas ao aspecto sintático (sintaxe);
c)  associadas ao aspecto semântico (significado).

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