Como usar bem a coletânea da redação do Enem

Além de servir para municiar o candidato de dados que possam enriquecer a redação, a presença das coletâneas assume um segundo papel aos olhos das bancas examinadoras: elas permitem avaliar de modo mais profundo a capacidade de leitura do candidato, reforçando a ideia de que a prova de redação é também uma prova de interpretação de textos.

Para conseguir selecionar os dados mais relevantes para seu projeto de texto, o candidato terá de ser capaz de apreender e compreender os dados presentes na coletânea, reconhecendo o grau de relevância daquelas informações para o debate e a forma como se relacionam a seu posicionamento.

O emprego de dados contidos na coletânea no desenvolvimento da dissertação só é obrigatório nos casos em que isso está explícito nas orientações contidas na proposta.

Na maioria dos exames não existe essa obrigação, mas a consideração e o aproveitamento de dados da coletânea, desde que adequadamente relacionados aos demais elementos do texto segundo as regras da progressão textual, sempre são bem vistos.

É preciso dar-se conta de que a escolha daqueles textos e não de outros por parte dos examinadores já indica a expectativa de que a reflexão do candidato se debruce sobre pelo menos algumas daquelas informações, seja para demonstrar sua concordância, empregando-as como argumentos em defesa de sua tese, seja para refutá-las, questionando sua relevância para o enfoque adotado na discussão.

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Além disso, a inclusão de informações da coletânea na progressão textual é mais uma indicação de que o texto não tomou a questão em debate como mero pretexto para uma reflexão desconectada das exigências da proposta. Ignorar a coletânea é um convite à fuga do tema.

E sempre bom lembrar que as bancas não esperam que o candidato simplesmente fale sobre o assunto geral abordado na proposta.

Ao contrário, sua expectativa é de que seja enfrentado o problema em torno do qual se dá o debate social a respeito daquele assunto, considerando-se as correntes e os posicionamentos expostos na coletânea, tendo em vista a defesa de uma conclusão formulada pelo próprio candidato.

Passo a passo para usar bem a coletânea no Enem

A leitura dos textos presentes na coletânea deve ser uma oportunidade para que o candidato possa:

a) Mapear o campo de debate, para identificar as principais correntes em disputa: os temas se-lecionados pelas provas envolvem problemas que geram polêmica na sociedade. Por trás das teses e dos argumentos conflitantes, há interesses e visões de mundo distintas, de diversos grupos sociais e ideológicos.

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A leitura da coletânea, articulada ao repertório do candidato, deve ser suficiente para que ele possa ter uma noção razoável dos interesses em jogo, dos setores da sociedade implicados no debate e dos valores defendidos em cada um deles.

b) Identificar argumentos e possibilidades de contra-argumentar: esse mapeamento dos setores sociais permitirá tomar ciência de alguns dos principais argumentos utilizados por cada uma das correntes ideológicas na defesa de suas teses. Isso também deve servir como estímulo para o candidato formular possíveis refutações, os contra-argumentos.

c) Reconhecer pontos a ressalvar: ao entrar em contato com os argumentos apresentados na defesa do posicionamento contrário ao seu, o candidato deve avaliar a conveniência de fazer ressalvas, ou seja, admitir a validade de algum argumento contrário para depois considerá-lo menos relevante que seus argumentos pessoais.

d) Questionar-se, enriquecendo, aprofundando e solidificando o posicionamento explicitado na tese defendida: as três etapas anteriores devem servir de estímulo à reflexão crítica, propiciando maior densidade e personalidade à dissertação.

A solidez de uma argumentação está diretamente relacionada ao seu grau de adesão aos valores morais e da cidadania (a verdade, a transparência, a justiça, a igualdade, a fraternidade, por exemplo), aos interesses da maioria em detrimento dos privilégios da minoria e aos direitos individuais (o direito à vida, à liberdade, à opinião, etc).

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Propostas sem coletânea exigem maior reflexão

Há outras bancas examinadoras que, como já dissemos, elaboram propostas mais sucintas, que oferecem menos dados para a reflexão do candidato.

Há desde casos em que a proposta de redação se resume a uma frase-síntese, a respeito da qual o candidato deve organizar sua reflexão, assumindo um posicionamento e argumentando em sua defesa, até casos em que a Banca seleciona três ou quatro fragmentos de texto mais breves para revisarem como ponto de partida para o trabalho.

Como sabemos, fragmentos de texto só assumem sentido pleno quando são relacionados ao seu contexto de produção.

É evidente que essa observação também vale para os fragmentos de texto mais longos que compõem as coletâneas, mas ganha importância crescente à medida que os fragmentos tornam-se mais curtos.

Ou seja, quanto mais sucinta for uma proposta de redação, maior deverá ser o trabalho prévio de reflexão do candidato para reconstituir, do modo mais amplo possível, o contexto em que se enquadram os textos oferecidos pela banca para, assim, escrever uma redação perfeita no Enem.

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