Você lê a fábula, entende a história e mesmo assim erra a questão? Isso acontece com muita gente. A interpretação de texto com fábulas parece simples, mas as bancas exploram detalhes como a moral, o sentido das palavras e as marcas de opinião.
Portanto, neste guia você vai aprender a analisar cada tipo de pergunta. Além disso, vai treinar com 10 questões sobre duas fábulas clássicas, todas com gabarito comentado.
Interpretação de Texto com Fábulas Explicada (Sem Complicação)
A fábula é uma narrativa curta, com animais que agem como pessoas. No final, ela deixa uma lição: a moral. Contudo, a prova quase nunca pergunta só “o que aconteceu”. Ela quer saber se você entendeu o que está por trás do texto.
Guarde estes pontos:
- Moral: é o ensinamento. Ela resume o erro ou o acerto da personagem.
- Sentido das palavras: troque a palavra no texto e releia. Se o sentido se mantém, o sinônimo serve.
- Marcas de opinião: são adjetivos, advérbios e verbos como “parecia”, que mostram o ponto de vista do narrador.
- Expressões figuradas: “dar com os burros n’água” não fala de burros nem de água.
- Pontuação expressiva: o ponto de exclamação pode indicar surpresa, alegria, ordem ou espanto, conforme o contexto.
Veja a diferença na prática:
- ❌ ERRADO: “Deu com os burros n’água” significa que o cão atravessou o rio.
- ✅ CERTO: “Deu com os burros n’água” significa que o cão fracassou.
Então, a regra de ouro é esta: volte ao texto antes de marcar a alternativa. Nesse sentido, a resposta sempre está lá, e não na sua memória.
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Como a Interpretação de Texto com Fábulas Cai na Prova? (Visão de Banca)
As bancas adoram textos curtos, porque eles permitem questões rápidas e cheias de pegadinhas.
A Cebraspe costuma pedir que você julgue se uma afirmação está de acordo com o texto. A FGV prefere cobrar o efeito de sentido de uma palavra ou de um sinal de pontuação. Já a Vunesp gosta de perguntar o sentido de expressões, a moral e a substituição de palavras.
Fique atento a estas armadilhas:
- Sinônimos parecidos, como “inveja” e “ambição”, que só um deles se encaixa no contexto.
- Provérbios que combinam com o tema, mas não com a lição da história.
- Trechos neutros misturados com trechos que revelam opinião.
Portanto, leia as alternativas com calma. Em seguida, elimine as que contradizem o texto.
Questões de Interpretação de Texto com Fábulas
Leia e responda.
O CÃO E O OSSO
Um cão vinha pela ponte carregando na boca um osso que parecia estar muito suculento. Distraído como estava, pensando em como seria deliciosa sua refeição, o cão olhou de soslaio para a límpida água do rio. Foi ali que tudo aconteceu.
Pensando ver outro cão segurando um osso tão delicioso quanto o seu, o esperto animal não teve dúvidas. Afinal, se ele se atracasse com o outro cão, certamente ficaria com dois ossos e não somente um.
Sem parar para refletir, lá se foi o melhor amigo do homem. E deu com os burros n’água. Perdeu seu osso e saiu envergonhado com tamanho cobiça.
Esopo
QUESTÃO 1.
No trecho: “Perdeu seu osso e saiu envergonhado com tamanha cobiça.” A palavra destacada pode ser substituída por
(A) inveja.
(B) pressa.
(C) ambição.
(D) distração.
Gabarito: Letra C. “Cobiça” é o desejo excessivo de possuir mais. Portanto, o sinônimo mais adequado é “ambição”. A inveja é o desgosto pelo bem de outra pessoa, e o cão não sente isso. A pressa e a distração não indicam desejo de ter mais.
QUESTÃO 2.
A moral que melhor simboliza um ensinamento para a fábula “O Cão e o Osso” é:
(A) “Devagar se vai ao longe”.
(B) “Cão que late não morde”.
(C) “Quem tudo quer tudo perde”.
(D) “Antes tarde do que nunca”.
Gabarito: Letra C. O cão quis ficar com dois ossos e perdeu o que já tinha. Esse é exatamente o sentido de “quem tudo quer tudo perde”. As outras opções são provérbios que não têm relação com a ganância do cão.
QUESTÃO 3.
Há uma marca de opinião do trecho:
(A) “Um cão vinha pela ponte carregando…”
(B) “… que parecia estar muito suculento…”
(C) “Perdeu seu osso e saiu envergonhado…”
(D) “… o cão olhou de soslaio para a límpida água…”
Gabarito: Letra B. O verbo “parecia” e o intensificador “muito suculento” revelam uma impressão, e não um fato comprovado. Além disso, o trecho da letra A apenas informa a cena. Contudo, atenção: as letras C e D também trazem adjetivos (“envergonhado” e “límpida”), mas descrevem a situação, sem expressar uma dúvida ou suposição do narrador.
QUESTÃO 4.
No trecho “o cão olhou de soslaio para a límpida água do rio”, a expressão “de soslaio” indica um olhar:
(A) de frente, com atenção.
(B) de quem está com raiva.
(C) de lado, de viés.
(D) de olhos fechados.
Gabarito: Letra C. “De soslaio” significa de lado, de modo meio disfarçado. Portanto, o cão não encarou a água, mas lançou um olhar rápido de lado.
QUESTÃO 5.
Na frase “E deu com os burros n’água”, a expressão destacada significa que o cão:
(A) fracassou ao tentar conseguir o que queria.
(B) conseguiu atravessar o rio.
(C) encontrou outros animais na ponte.
(D) ganhou mais um osso.
Gabarito: Letra A. A expressão é figurada e quer dizer “fracassar”. O cão tentou pegar o segundo osso e perdeu o primeiro.
QUESTÃO 6.
Na fábula, o “outro cão” que o personagem vê na água é:
(A) um cão vizinho que passava pela ponte.
(B) o cão de um dono distraído.
(C) um cão escondido sob a ponte.
(D) o reflexo do próprio cão.
Gabarito: Letra D. O texto diz “pensando ver outro cão”, ou seja, o cão apenas acredita ter visto outro animal. Na verdade, ele vê a própria imagem refletida na água límpida.
A RAPOSA E A MÁSCARA
Uma raposa conseguiu invadir a casa de um ator e começou a remexer nos seus pertences. Foi aí que encontrou uma máscara linda, repleta de ornamentos e decorações. Segurou o objeto e exclamou: “Que cabeça bonita! Pena que não tem um cérebro lá dentro”.
Moral: A aparência exterior nem sempre reflete aquilo que existe no nosso espírito.
QUESTÃO 7.
O ponto de exclamação em: “Que cabeça bonita!” serve para indicar:
(A) surpresa.
(B) presteza.
(C) rapidez.
(D) alegria.
Gabarito: Letra A. A raposa se surpreende e se admira com a beleza da máscara. Portanto, o ponto de exclamação marca a surpresa. “Presteza” e “rapidez” não são emoções, e a alegria não aparece no texto, já que a raposa logo lamenta a falta de cérebro.
QUESTÃO 8.
Escreva um sinônimo para cada palavra abaixo retirada da fábula.
(A) Máscara: _________
(B) Invadir: ___________
(C) Conseguiu: ________
(D) Linda: ____________
(E) Casa: _____________
(F) Começou: __________
Gabarito: As respostas podem variar, desde que mantenham o sentido no contexto. Veja sugestões:
- (A) Máscara: disfarce ou carranca.
- (B) Invadir: ocupar, adentrar à força ou entrar sem permissão.
- (C) Conseguiu: logrou ou obteve êxito.
- (D) Linda: bela ou formosa.
- (E) Casa: residência, lar ou moradia.
- (F) Começou: iniciou ou principiou.
QUESTÃO 9.
A moral da fábula “A Raposa e a Máscara” nos ensina que:
(A) a beleza é a qualidade mais importante de uma pessoa.
(B) a aparência pode enganar e não revela o valor interior.
(C) os animais devem evitar entrar nas casas das pessoas.
(D) os atores guardam objetos valiosos em casa.
Gabarito: Letra B. A raposa elogia a beleza da máscara, mas critica o fato de ela ser vazia. Nesse sentido, a lição é que o exterior bonito não garante conteúdo, exatamente como diz a moral do texto.
QUESTÃO 10.
No trecho “Pena que não tem um cérebro lá dentro”, a fala da raposa expressa:
(A) alegria pela descoberta.
(B) uma ordem dirigida ao ator.
(C) lamento com crítica.
(D) medo do objeto.
Gabarito: Letra C. A expressão “pena que” indica lamento. Contudo, a raposa também critica a máscara, pois aponta que a beleza não vem acompanhada de inteligência.
Conclusão: Domine a Interpretação de Texto com Fábulas
Em resumo, a interpretação de texto com fábulas exige atenção à moral, ao sentido das palavras, às marcas de opinião e às expressões figuradas. Você deve voltar ao texto, eliminar as alternativas incoerentes e confirmar a resposta no contexto. Dessa forma, você ganha segurança e pontos na prova.
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