Proposta de Intervenção na Redação do Enem

Leia a seguir o que Maria Bernadete Marques Abaurre, professora da Unicamp, fala sobre a Competência V (Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito aos direitos humanos):

Um dos méritos indiscutíveis do Enem está justamente em criar condições, através da prova de redação, fará que os participantes explicitem, através dos textos que produzem, a competência que desenvolveram, ao longo da sua formação básica, para articular suas práticas discursivas ao exercício pleno da cidadania. Se, por um lado, a prova de redação do Enem nos mostra, em muitos casos, a maturidade discursiva de agentes sociais conscientes, por outro ela nos revela o preocupante silêncio de um grande número de egressos do Ensino Médio. Ao jazê-lo, esta prova também evidencia o importante papel da escola brasileira na formação dos jovens: cabe a ela, neste momento, criar condições para promover o desenvolvimento do discurso cidadão.

Textos teóricos e metodológicos, p. 92.

Exames de grandes vestibulares, quando delimitam questões sociais ou conjunturais como tema de redação, não costumam deixar explícita a exigência de que sejam apontadas sugestões de solução para os problemas discutidos. Tecer considerações sobre como interferir na questão posta em debate é opção de quem escreve.

No Enem, entretanto, fazer isso é obrigação. Elaborar propostas de intervenção faz parte das instruções da prova: trata-se de um item de adequação à proposta, de uma competência avaliada num quesito específico na grade de correção (competência V).

E o que seria “propor intervenções”?

Diante de um problema social complexo, expor propostas de intervenção significa discutir medidas que diminuam sua gravidade, que representem alguma ação afirmativa, que se delineiem como uma entre tantas outras ações necessárias para superá-lo. Elas podem ser bastante específicas ou genéricas, como se vê no último parágrafo da redação reproduzida.

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Em outros termos, quando se fala em “sugestão para solucionar o problema”, não espera que, em cinco ou seis linhas, seja exposta uma ideia que o erradique milagrosamente. Por isso, o Enem trata essa competência como “proposta de intervenção”, e não simploriamente como “solução”.

Como já ficou explícito, a prova de Redação avalia a capacidade de reflexão crítica sobre o tema proposto. Muitos alunos acreditam que a qualidade de sua reflexão será resultado de uma análise complexa, inédita (“uma sacada que os outros não tiveram”), repleta de citações de grandes pensadores ou escrita em linguagem rebuscada – de preferência com “palavras difíceis, para impressionar a banca”.

Contrariamente a essa concepção equivocada, o Enem reforça a tese de que reflexão crítica é resultado:

  • do aproveitamento de informações ou argumentos extraídos dos textos da coletânea;
  • da incorporação ao texto de fatos da realidade e de experiências pessoais que sejam pertinentes ao tema e à direção argumentativa assumida pelo enunciador;
  • de conhecimentos coerentes com a análise da situação-problema apresentada como tema.

Todos esses componentes da reflexão crítica encontram-se ilustrados nas redações abaixo, publicadas pela banca como exemplos de ótimo desempenho no exame de 2012.

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